sexta-feira, 31 de agosto de 2012

História do Britpop (Parte 10) - Everybody's on the Run

Último dia do mês e esse é o último post da série que contou a história do Britpop, a ascenção, a queda e o revival de um dos maiores movimentos musicais e culturais da Inglaterra.

Essa última parte poderia ser chamada de "A Volta Dos Que Não Foram". Em 2008 o Verve ressurgiu do limbo lançando seu quarto disco intitulado Forth

Mas depois de uma bem sucedida turnê de um disco bem recebido pela crítica, o grupo - infelizmente, mais uma vez - não se sustentou por muito mais tempo e acabou no ano seguinte.

Em 2003, o Blur havia lançado Think Tank já sem o guitarrista Graham Coxon em sua formação. Mas em 2009, a banda resolveu voltar, e com Coxon na guitarra. 

Lançaram então um disco de Greatest Hits intitulado Midlife, a Beginners Guide to Blur e um disco ao vivo, tirado de um supershow da banda no Hyde Park.

Mas se o Blur voltou em 2009, quem acabou depois de mais de 15 anos de estrada e pegou todo mundo de surpresa foi o Oasis, depois de uma briga feia entre os irmãos Liam e Noel Gallagher.

O irmão menos criativo da família, Liam, juntou os cacos do Oasis e montou a Beady Eye, com Andy Bell (agora na guitarra), Gem Archer e Chris Sharrock. Para o baixo foi recrutado Jeff Wooton. Não muito tempo depois, a banda lançou seu disco de estreia, que apesar dos pesares, mostrou-se consistente e foi bem recebido.

Enquanto isso, Noel ficava na sua. Prometia lançar um disco novo em breve. E as pessoas esperavam uma coisa grandiosa vinda da parte cerebral do Oasis. E Noel não decepcionou. Noel Gallagher's High Flying Birds é seguramente um dos melhores (quiçá o melhor) disco dos últimos 15 anos.

E assim termina, pelo menos por hora, a história do Britpop.

Perdeu as partes anteriores? Não tem problema. Segue os links aí embaixo:

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

História do Britpop (Parte 9) - I Predict a Riot

Em 2003, o Stereophonics lança You Gotta Go There to Come Back, que apoiado no megahit Maybe Tomorrow faz um relativo sucesso.

Mas a consagração dos Phonics só viria dali a dois anos. Depois de ver todo mundo se dar bem no movimento Britpop e o declínio do mesmo, o grupo liderado por Kelly Jones finalmente acerta a mão e faz um álbum sem falhas e experimenta o doce sabor do sucesso absoluto. 

O álbum em questão é Language. Sex. Violence. Other?, que apoiado em faixas fortes como Superman, Doorman e Dakota, traz consigo hits radiofônicos com grandes solos de guitarra, fazendo com que a banda alcance um patamar superior.

Na outra ponta, influenciadas pelas mais diversas bases do estilo, algumas bandas, inclusive americanas, resolvem fazer uma espécie de revival do movimento, tais como Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, Arctic Monkeys, Kasabian, Keane e o americano, mas não menos importante, o The Killers.

Embora o Arctic Monkeys e o Franz Ferdinand se mostrassem soberanos no Reino Unido e estivessem ganhando popularidade no resto do mundo num ritmo tão rápido quanto Brianstorm e Michael, havia "disputas" mais interessantes ocorrendo na cena.

Kasabian e Kaiser Chiefs, de certo modo, davam conta de ser o terceiro ato da Batalha do Britpop. O Kasabian, com seu som que flerta fortemente com o shoegazing, representa o Oasis, já o Kaiser Chiefs, com melodias mais alegres, naturalmente, seria o Blur.

Outra ponta interessante dessa cena, foram as gratas surpresas com os influenciados pelos sons do Radiohead e do Coldplay. Embora formados há muito tempo, Keane e Muse só atingiram o ápice nesse momento da história. O Muse em 2003, com a Hysteria de Absolution; e o Keane um ano depois, com suas esperanças e medos, trazendo como carro-chefe a belíssima Somewhere Only We Know.

Correndo por fora, e nem tão Britpop assim, os caras do The Killers forçam um "falso-britanismo" para se encaixarem na cena. O som lembra bem mais coisas como A-Ha, Duran Duran, Depeche Mode e mais do que qualquer outra, o New Order. Mas ainda assim, Hot Fuss (2004), seu disco de estreia, é bem recebido e colocado como um dos melhores da década.

Perdeu as partes anteriores? Não tem problema. Segue os links aí embaixo:

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

História do Britpop (Parte 8) - Don't (Gas) Panic!

Chegamos ao ano 2000. Oasis e Radiohead saem da toca e lançam respectivamente Standing on the Shoulder of Giants e Kid A

Por sua vez, o Blur fica só na coletânea óbvia The Best of Blur, que trazia apenas a desinteressante Music is My Radar como inédita. 

O Radiohead, como era de se esperar, vai se tornando cada vez mais experimental, com base nas mentes hiperativas de Thom Yorke e Colin Greenwood

Com isso, a banda vai se distanciando e desassociando seu nome ao movimento cada vez mais.

Já o grupo liderado pelos irmãos Gallaghers enfrentou alguns problemas na construção de Standing on the Shoulder of Giants; a começar pela saída do baixista Guigsy e do guitarrista Bonehead. Nos seus lugares, entraram o já anteriormente citado Andy Bell, ex-guitarrista do Ride e do Hurricane #1 para o baixo e Gem Archer, ex-vocalista e guitarrista do Heavy Stereo.

Apesar da certa desconfiança sobre esse novo trabalho do Oasis, sobretudo pelo mau desempenho de Be Here Now em relação à crítica e sobre os novos rumos que o som da banda estava tomando, Standing on the Shoulder of Giants surpreendeu e foi muitíssimo bem recebido. Há até quem diga que era o disco que eles precisavam para mostrar o grau de maturidade que haviam alcançado. Faixas como Go Let it Out e Gas Panic! garantem as boas vendas do álbum.

Enquanto isso, algumas bandas que ficariam como parte do movimento chamado de Post-Britpop começam a ganhar espaço, tais como Travis e Coldplay, que influenciadas por essa nova fase do Radiohead, deixam as guitarras de lado e investem nos pianos e fazem uma espécie de reedição da Batalha do Britpop de anos antes, mas sem as guitarras e as tiradas ofensivas.

E exatamente como na batalha de cinco anos antes, uma banda limitou sua fama apenas à Inglaterra, enquanto a outra, com mais hits radiofônicos, conseguiu expandir sua fama para o resto do mundo. 

O Travis até tinha uma proposta boa, mas o Coldplay desde o primeiro disco já mostrava que eles eram grandes demais pra se limitarem apenas ao seu país. Logo na saída de Parachutes, a banda emplacou hits arrebatadores como Don't Panic! e Yellow.

Já em 2001 quem começa a querer tomar conta do movimento, é o Stereophonics, que lança, até ali, seu disco de maior êxito, o Just Enough Education to Perform; com destaque para Mr. Writer e Have a Nice Day.

A partir daí o que aconteceu foi o declínio definitivo do movimento. Onde as bandas fundamentais do estilo resolveram experimentar mais em seus discos, deixando a essência do Britpop um pouco de lado. Mas calma que não acabou. Ainda tem um revival, que vai ficar pro próximo post.

Perdeu as partes anteriores? Não tem problema. Segue os links aí embaixo:

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

História do Britpop (Parte 7) - Local Boy in the Photograph

Ainda no ano de 1997, maravilhados com o sucesso de todas essas bandas do movimento, sobretudo o The Verve e o Blur, que haviam lançado suas obras-primas nesse ano, saem os primeiros trabalhos de Stereophonics e Hurricane #1, que ainda apostavam no estilo, embora sua sonoridade se aproximasse mais do Oasis.

Sobre a primeira, há de se dizer que Word Gets Around, seu trabalho de estreia, é um disco bastante consistente, mesclando hits radiofônicos e grandes faixas com guitarras distorcidas.

Não muito diferente da segunda, que era liderada por Andy Bell, ex-guitarrista do Ride. Seu trabalho de estreia, o self-titled Hurricane #1, era ligeiramente mais alternativo, ou seja, não tinha tantos hits em potencial, embora chamasse a atenção pela qualidade das faixas.

Em 1998, para tentar reconstruir a imagem que ficou arranhada com Be Here Now, o Oasis lança uma coletânea de b-sides, The Masterplan, que obtém certo sucesso.

Em 1999, o Blur lança o emotivo e barulhento 13, que trazia Tender, Trimm Trabb e a bonitinha Coffee & TV, com o premiadíssimo clipe da caixinha de leite. Enquanto isso Radiohead e Oasis permanecem em estado de hibernação.

Quem também lança novos trabalhos é o Supergrass, que novamente consegue boas aparições, sobretudo com o hit Mary, o Stereophonics, com o bom Performance & Cocktails; além do Hurricane #1, que lançou seu derradeiro disco, intitulado Only the Strongest Will Survive, fazendo uma espécie de redirecionamento de seu som, trazendo uma roupagem mais acústica e carregado de arranjos de violinos e teclados.

E a título de informação, depois do fim do Hurricane #1, Andy Bell decidiu levar a vida com duas cordas a menos. Largou a guitarra e foi tocar baixo no Oasis, que estava no processo de gravação de um novo álbum, aliás, album esse, que eu vou contar como foi o lançamento desse disco no próximo post.

Perdeu as partes anteriores? Não tem problema. Segue os links aí embaixo:

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

História do Britpop (Parte 6) - Bittersweet Symphony

Em 1997, depois de sempre bater na trave e assistir o sucesso dos outros, o The Verve finalmente acerta a mão fazendo um disco impecável: Urban Hymns.

Trata-se de um disco todo orquestrado, e embora muito emotivo, é um álbum clinicamente pensado e preciso, com sucessos como Bittersweet Symphony, Sonnet, Lucky Man, The Drugs Don’t Work, tendo também outras grandes músicas como The Rolling People e Catching the Butterfly.

Mas apesar do sucesso atingido pelo álbum, a banda enfrentou uma acusação e um processo de plágio justamente por causa de seu maior hit. Os Rolling Stones acusavam Ashcroft de copiar samples de The Last Time.

O Verve perdeu a batalha judicial, começou a se desestabilizar por conta disso e acabou conhecendo o seu fim. O Radiohead por sua vez, começou a alçar vôos mais altos e mais distantes do Britpop, lançando o enigmático Ok Computer.

O Blur era outra banda que há tempos tentava bater as asas fora da terra da Rainha. E nesse ano de 1997, eles finalmente conseguem. O sucesso e o modo como o disco Blur foi lançado, trazia um sucesso totalmente novo pra banda, fazendo parecer como se fosse o primeiro trabalho. O maior hit do álbum, Song 2, tocou incessantemente no mundo todo, em todos os lugares, virou trilha de jogos de vídeo-game e tudo mais.

E de onde se esperava o máximo, veio menos, bem menos. O Oasis lançou o irregular Be Here Now, a comoção em torno do álbum era tanta, que foi o disco mais vendido em menos tempo em toda a história da musica britânica.

Carregado com uma superprodução jamais imaginada em um disco dos irmãos Gallagher até então, o álbum vem recheado de músicas longas de 6, 7 e até 10 minutos de duração. Resultado? Be Here Now não agradou a crítica especializada e foi acusado de ser um dos responsáveis pelo declínio do Britpop que veio a ocorrer nos anos posteriores e que eu vou contar como acontece nas próximas partes.

Perdeu o começo da história? Não tem problema. Segue os links aí embaixo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

História do Britpop (Parte 5) - Caught by the Fuzz

Como você viu na parte 4, 1995 foi definitivamente um dos anos mais gloriosos da história da música britânica.

Já em 1996, a Batalha do Britpop continuou mais forte do que nunca. Oasis e Blur disputavam single à single, disco à disco a primeira posição dos UK Charts. 

The Verve e Radiohead sinalizavam uma vontade de desassociar seu nome ao movimento. E foi aí que uma terceira banda começou a correr por fora e a incomodar.

Essa terceira banda era o Supergrass, que lançou seu primeiro disco, I Should Coco, em 1995; e embora tenha conseguido bons resultados nesse ano, foi só em 1996 que a banda foi realmente colher os primeiros frutos do sucesso. 

O álbum trazia canções consistentes e divertidas como Caught by the Fuzz e She's So Loose, além do hit incontestável Alright, que chegou a desbancar hits da época como Champagne Supernova (What's the Story [Morning Glory?]. Oasis, 1995) e Charmless Man (The Great Escape. Blur, 1995).

Mas embora o Supergrass tenha começado a incomodar e o Blur tenha feito uma concorrência forte, os irmãos Gallagher sairam triunfantes de mais um ano. O carimbo de maior banda britânica e quiçá do mundo para o Oasis veio nos históricos shows de Knebworth. Mais de 2,5 milhões de pessoas procuraram pelos ingressos. Só para se ter uma ideia, um em cada vinte habitantes da Inglaterra tentou comprar as entradas para o show.

Resumindo: Tendo conhecimento desses números da procura pelos tickets, pode se dizer que o Oasis poderia lotar a arena de Knebworth com 125 mil pessoas por nada menos que 21 dias seguidos.

Por outro lado, o movimento expandia os limites musicais. No cinema, o modo de vida dos jovens da época (pelo menos de parte deles), era retratado no excelente Trainspotting. Por linhas tortas ou não, o filme serviu de certo modo como divulgador do movimento no resto do mundo, embora houvesse quem repudiasse o filme até a morte, o acusando de fazer apologia às drogas, especificamente, a heroína.

Perdeu as primeiras partes? Não tem problema, tá tudo aí!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

História do Britpop (Parte 4) - Country House

Se há algo a dizer sobre o ano de 1995, é que ele foi definitivamente um dos anos mais produtivos da história da Inglaterra em termos musicais. Por quê? Simples. Oasis, Blur, Radiohead, The Verve e os então calouros do Supergrass lançam trabalhos.

What’s the Story (Morning Glory?) e The Great Escape, de Oasis e Blur respectivamente, protagonizaram o que ficou famosa como a Batalha do Britpop, e que a gente já contou como começa no post anterior. 

E a coisa toda começa a tomar proporções gigantescas, onde até as declarações eram realmente ofensivas, como quando Noel Gallagher, hoje bem menos afiado, soltou a seguinte pérola:

"Eu espero que o vocal (Damon Albarn) e o baixo (Alex James) do Blur peguem AIDS e morram".

O Blur, por sua vez, resolveu responder com um pouco mais de classe. O baixista Alex James disse o seguinte:

"Acho que vou com uma camiseta do Oasis no Top of the Pops".

E sim, ele foi. Depois disso, Noel Gallagher deve ter posto a mão na consciência e resolveu, digamos assim, "baixar" o tom dizendo o seguinte:

"Eu não quero que eles peguem AIDS e morram. Eu apenas os odeio!"

E pra colocar ainda mais fogo na coisa, as gravadoras resolveram lançar os singles das bandas no mesmo dia. Roll With It e Country House. O Blur representava o Sul da Inglaterra, o Oasis, o Norte. O Blur, a classe artística, o Oasis, a classe trabalhadora.

O Blur venceu a batalha, 274 mil cópias do single, quase 60 mil a mais do que o Oasis, mas no entanto, acabou perdendo a guerra, pois o grupo dos irmãos Gallagher conseguiu justamente o que o Blur mais queria, que era a popularidade nos Estados Unidos e consequentemente, no resto do mundo; apoiados em hits como Wonderwall, Don’t Look Back in Anger, Morning Glory e a épica Champagne Supernova.

Correndo por fora, o Radiohead lança o seu conceitual The Bends, que ajuda consideravelmente a encorpar ainda mais a carreira da banda, antes que eles partissem pro experimentalismo. 

Na mesma levada shoegazing do Ride, o Verve redireciona seu som para outros lados, revê suas influências e acaba por lançar A Nothern Soul, trazendo como um dos carros chefe a ótima This is Music. Mas mesmo assim, não deixa de lado sua estética carregada de sentimentalismo e põe como um dos hits do álbum a belíssima balada History.

Ainda nesse mesmo ano, como já foi dito no início do post, o Supergrass também lança seu primeiro disco, I Should Coco, mas é só no ano seguinte que a banda começa a colher os frutos desse trabalho, e só no próximo post que você vê o que acontece com eles.

Perdeu as três primeiras partes? Segue os links abaixo:

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