quinta-feira, 3 de maio de 2012

New Order - Brotherhood

É bem verdade que o New Order começou a se encontrar dentro da música eletrônica somente em 1983, no seu segundo álbum, o Power, Corruption & Lies.

Porém, o domínio absoluto da banda dentro do synthpop veio três anos mais tarde, com Brotherhood.

O disco que trazia como seu carro-chefe a balada dançante Bizarre Love Triangle não só fez com que cada vez mais pessoas fossem para as pistas de dança como se não houvesse amanhã, mas também conseguiu agradar fãs de rock, até mesmo os mais saudosistas para com a Joy Division, banda que veio a originar o New Order depois do suicídio do vocalista Ian Curtis.

Aliás, o disco já é iniciado com uma eletrônica que empolga bastante, Paradise. Inclusive, classificar uma música do New Order, sobretudo desse disco como dançante, chega a ser praticamente um caso de pleonasmo.

Mas como bem se sabe, os discos do New Order nunca consistiram apenas em música eletrônica. Eles nunca deixaram o rock de lado. Ou melhor dizendo, o post-punk.

Prova disso é Broken Promise, que como não podia deixar de ser, tem como suas principais características, a bateria acelerada de Stephen Morris, que nos faz ter a impressão de ser uma máquina tocando, além claro, do baixo de Peter Hook se fazendo presente sobre todos os outros instrumentos.

Mas antes de finalizar, se existe uma faixa nesse álbum que merece uma atenção mais do que especial, é All Day Long, que é uma das faixas mais experimentais feitas pela banda até então. E convenhamos, que o período entre 1983 e 1989 foi o qual a banda mais experimentou. E não só musicalmente falando.

A faixa em questão traz consigo algo quase transcendental. Os teclados de Gillian Gilbert aliados ao baixo oitavado de Peter Hook e a voz de Bernard Sumner em um tom mais suavizado fazem com que a música seja a definição de dream pop, pois melodicamente, seria a trilha sonora perfeita para bons sonhos.

No mais, resta dizer que é um disco altamente recomendável a qualquer pessoa, independente do gosto, seja ele mais pop, ou então, moderadamente roqueiro.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Keane - Strangeland

A espera acabou. Depois de quatro anos, finalmente saiu Strangeland, o quarto álbum de estúdio do Keane

Na verdade, ele ainda não saiu, uma vez que seu lançamento oficial está marcado para o próximo dia sete, conforme foi anunciado aqui.

Sendo assim, vamos tentar colocar de uma outra forma: Vazaram o disco.

Pois bem. Ao longo dos últimos anos, algumas dessas bandas mais novas, ou que só vieram a ganhar notoriedade na última decada, tentaram fazer mudanças periódicas ou bruscas em sua sonoridade. 


Temos como exemplo de como não fazer isso o Strokes, com o seu Angles (2011) e o The Killers em Day & Age (2008).

Com o Keane a coisa já é um pouco diferente. A mudança ao longo dos anos finalmente tem uma explicação plausível. A resposta para todas as perguntas que os fãs vinham fazendo no período correspondente entre Hopes and Fears (2004) e Perfect Symmetry (2008) está em Strangeland.

A banda estava passando por um processo de evolução, até chegar a maturidade plena de seu som. Não que não houvesse isso nos outros discos da banda. Aliás, Hopes and Fears (2004) é um dos discos mais "feitos com o coração" já produzidos na história da música.

O ponto é, Strangeland é como uma espécie de apanhado da discografia do Keane até então, salvo algumas novas influências, até bastante naturais nesse processo.

Aliás, ainda falando em Hopes and Fears (2004), muito se disse que o Keane havia retornado à sua sonoridade original em Strangeland. Talvez sim, mas um pouco. Não tanto quanto disseram por aí.

Primeiramente porque Strangeland é um disco muito mais pessoal do que os seus antecessores. Hopes and Fears era o disco que o Keane precisava pra entrar no mainstream e mostrar que veio a serviço. Já Under the Iron Sea (2006) procurava a consolidação do sucesso, e Perfect Symmetry (2008) por sua vez, era o auge.

Pois bem, vamos as faixas. You Are Young abre o disco de maneira serena. Logo na primeira nota do piano já se tem certeza: É Keane!

Aliás, Tim Rice-Oxley conseguiu uma coisa no rock que normalmente baixistas e guitarristas conseguem, que é fazer com que as pessoas saibam que é um determinado músico que está tocando. É quase um processo de associação de nome à imagem. Nesse caso, de nome ao som.

A segunda faixa é hit absoluto. Pelo menos do disco. Silenced by the Night tem um refrão viciante e uma melodia deliciosa, que acalma a mente de modo quase inexplicável.

Aliás, falando em bons refrões, encontra-se um quase tão bom quanto o de Silenced by the Night mais à metade do disco, em The Starting Line.

E quando digo que Silenced by the Night é hit absoluto do disco, é porque Strangeland é um disco tão pessoal, tão feito para os fãs e para a própria banda, que talvez a crítica "especializada" não reconheça a qualidade presente nele, classificando-o como um disco "difícil".

Em todo caso, quem disse que o Keane era fácil? Se querem coisas fáceis e sem sentido, que vão ouvir o último do Arctic Monkeys então.

Mas voltando ao que interessa, logo na primeira audição de Strangeland algumas faixas se destacam e saltam aos olhos mais do que as outras. Watch How You Go é uma delas. Soa como um dia chuvoso e cinzento.

Por outro lado, nem tudo é tristeza no novo álbum do Keane. Quando eu disse logo acima que novas influências foram introduzidas no som da banda nesse novo trabalho, elas aparecem gritantemente em faixas mais rápidas e dançantes como On the Road e na quase eletrônica Day Will Come.

Outra que não poderia deixar de ser citada e que provavelmente será o próximo single, depois de Disconnected, é Sovereign Light Cafe, que fala basicamente de um cara tentando falar com uma mulher, mas ela não dá a mínima para o que ele diz. Tema recorrente nas músicas do Keane.

O disco é finalizado de maneira mais serena do que começou. Sea Fog é carregada do início ao fim com um piano bastante introspectivo, dando o tom certo que o fim do disco precisa, como se fosse uma despedida.

E como já foi dito antes, Strangeland pode até ser classificado como um disco difícil. Mas, como também já foi mencionado anteriormente, ele consegue misturar todas as vertentes usadas nos discos da banda até então, desde uma música mais triste levada num piano, ou então ter elementos mais sintetizados, eletrônicos.

Por fim, o fato é que Strangeland não é um disco para angariar novos fãs para o Keane. É uma espécie de agrado aos antigos.

domingo, 29 de abril de 2012

The Killers - Hot Fuss

Lançado em 2004, o disco de estreia do The Killers apareceu como uma grata novidade na cena indie que estava em voga na época. 

Quase ao mesmo tempo, Franz Ferdinand e Keane lançavam seus primeiros discos também, mas era cada um na sua praia.

O The Killers, embora seja americano, de Las Vegas, procurou implantar em seu som o máximo de influências britânicas possíveis, podendo ser citado como principal referência o New Order.

As quatro primeiras faixas são pra mostrar que a banda não estava para brincadeira, que veio definitivamente pra mostrar serviço.

Uma coisa bem interessante em Hot Fuss, é que nele começa o que a própria banda classificou como trilogia da morte, que tem uma de suas partes em Sawdust (2007), com Leave the Bourbon on the Shelf.

As partes presentes nesse disco são Jenny Was a Friend of Mine e Midnight Show, que são tão boas que fazem a pessoa que está ouvindo o disco ficar se questionando se ele presta mais atenção na música em si ou na letra e em toda a mensagem que ela quer passar.

Musicalmente falando, são duas das melhores músicas do The Killers, com um grande destaque para as linhas de baixo de Mark Stoermer e a bateria bem marcada e empolgante de Ronnie Vanucci.

Liricamente falando, a primeira fala basicamente sobre se eximir de uma culpa. Em dados momentos até dá a entender que o personagem principal chega a confessar um crime que não cometeu só para tentar resolver a situação.

Já na segunda, a letra parece mais sombria, requer um grau de interpretação mais apurado, embora uma coisa fique clara. Ciúme. Do tipo obsessivo.

Voltando a parte musical, que é a que mais interessa para nós, não é porque o baixo e a bateria proporcionam os melhores momentos de Hot Fuss que a guitarra também não merece seu devido destaque.

Aliás, a forma como a guitarra de Dave Keuning se encaixa perfeitamente com os sintetizadores de Brandon Flowers é incrível. O melhor exemplo disso é a oitentista Smile Like You Mean It.

É claro também que não poderiamos deixar de falar dos hits Somebody Told Me e Mr. Brightside, que mesmo dada a qualidade do álbum como modo geral, foram elas as principais responsáveis por manter as vendas do disco altas e elevar o The Killers ao status de grande banda dessa nova leva que estava vindo.

Por outro lado, há outras faixas que tinham um grande potencial para se tornarem grandes hits da banda, tais como Believe Me Natalie e Change Your Mind, além da experimental On Top, que faz referência ao Duran Duran.

Convém lembrar que Hot Fuss não é um disco perfeito e tem seus momentos descartáveis. Mas na verdade, isso nem chega a ser algo condenável, uma vez que este era o primeiro disco da banda. 

Em todo caso, vamos a elas. A primeira é Andy You're a Star, que começa estranha, meio sem pé e sem cabeça, embora fique melhor quando chegue a sua metade. E por sua vez, Everything Will Be Alright, que fecha o disco, não tem nada que se salve.

Dadas todas essas impressões, resta dizer que essa foi a única vez que o The Killers acertou a mão ao fazer um disco. Depois disso vieram o irregular Sam's Town (2006) e o horrível Day & Age (2008).

Então, sendo assim, se você nunca chegou muito perto de algo relacionado aos matadores, comece do jeito certo, comece com Hot Fuss.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Saxofonista do The Killers é encontrado morto em casa

O saxofonista do The Killers, Tommy Marth, foi encontrado morto em sua casa em Las Vegas na segunda-feira (23). De acordo com o "Las Vegas Weekly", o músico de 33 anos cometeu suicídio.
"Na noite passada perdemos nosso amigo Thomas Marth. Nossas orações a sua família. Há uma luz faltando em Las Vegas", lamentou a banda em comunicado oficial.
Marth tocou saxofone durante a turnê mundial do The Killers realizada entre 2008 e 2009, e pode ser ouvido nos discos Sam's Town (2006) e Day & Age (2008).

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Acho que o Killers tá querendo bancar o cover de Men at Work. Acho.

Em todo caso, no meu mundo perfeito, a trilha sonora dessa notícia teria Bones e Goodnight, Travel Well.

sábado, 21 de abril de 2012

Tommy Stinson - Village Gorilla Head

Em Dezembro passado falamos aqui do disco mais recente de Tommy, One Man Mutiny. Agora nós vamos um pouco mais atrás no tempo. Mais precisamente para o ano de 2004, no lançamento de seu début-album, Village Gorilla Head.

Na realidade, o disco começou a ser concebido muito antes do seu lançamento. Muito antes mesmo.

Ele tinha algumas gravações antigas dos anos 90, umas sobras de outros projetos que ele havia tocado antes de se juntar ao Guns N' Roses, como o Perfect e o Bash & Pop.

Mas em todo caso, no processo final, o disco levou pouco mais de um mês para ser gravado e mixado. Aliás, diga-se de passagem que Tommy tocou quase todos os instrumentos do disco. E nos que não tocou, contou com a ajuda de companheiros e ex-companheiros de Guns N' Roses, como Richard Fortus, Dizzy Reed e o espetacular baterista Josh Freese.

Inclusive, quem também tocou saxofone em algumas faixas foi o irmão de Josh, Jason Freese, que frequentemente excursiona e grava com o Green Day.

Pois bem, dadas as informações históricas e técnicas acerca desse disco, vamos ao que interessa: dar o play e ouvir o disco.

Não é segredo que Stinson teve suas raízes musicais no punk, sabendo que ele tocou no cultuadíssimo Replacements desde os 12 anos de idade até o fim derradeiro da banda em 1991, porém, Tommy sempre foi interessado em coisas mais calmas e acústicas também.

Prova disso são as primeiras faixas de Village Gorilla Head, Without a View e a bonitinha Not a Moment Too Soon. Já Something's Wrong tem uma levada mais de rock alternativo, soando até bastante parecida com algumas coisas mais ao fim  da obra do Replacements.

Mas como foi anteriormente dito, Stinson tem suas raízes no punk. Sendo assim, claro que em seu disco solo, ele não iria deixar isso para trás. Couldn't Wait e Motivation são os momentos mais rápidos do álbum. São onde Tommy fez suas colagens de Clash e Sex Pistols e incorporou ao seu som.

Em todo caso, os momentos de pressa no disco são poucos. Desde o começo já fica clara a intenção de Tommy de apostar em violões e guitarras mais limpas. Bons exemplos disso são Hey You e Someday.

Uma curiosidade interessante a ser destacada também, é que Light of Day entrou na trilha sonora da série Californication, o que por consequência a tornou a faixa de maior êxito no disco, bem como ajudou a dar uma levantada nas vendas do álbum, mesmo que ele já tivesse recebido boas críticas da mídia especializada, como Rolling Stone, Allmusic e Blender.

Mas enfim, o mais interessante de ouvir Village Gorilla Head, é perceber que Stinson não se preocupou em fazer um disco preso a um determinado estilo. Village Gorilla Head é antes de qualquer coisa, um disco absolutamente autoral.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Saxofonista do Men at Work é encontrado morto em casa na Austrália

Greg Ham, ex-saxofonista da banda australiana Men at Work foi encontrado morto em sua casa em Melbourne por alguns amigos.

Segundo o sargento da polícia australiana Shane O'Connell, a causa da morte está sendo investigada e que, por enquanto, há alguns "aspectos inexplicáveis".

"Neste momento não estamos preparados para entrar em detalhes precisos sobre o que aconteceu", acrescentou O'Neill, segundo a rede de televisão ABC.

Ham tinha 58 anos e  se juntou à banda em 1979 em substituição a Greg Sneddon. Além de saxofone, ele tocava flauta e teclado.

Men at Work alcançou reconhecimento nacional em 1981, com a canção Who Can It Be Now?, e ganhou fama internacional no ano seguinte, com o álbum Business as Usual, que liderou as paradas de Austrália, Estados Unidos e Reino Unido.

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No meu mundo perfeito, a trilha sonora dessa notícia teria Down Under e Overkill. Não necessariamente nessa ordem.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Nirvana - Nevermind

Por: Catharina Schoene

18 anos sem Kurt Cobain. Nada de lamentações, já que foi ele quem escolheu acabar com a própria vida, e talvez esse tenha sido o melhor jeito de seu nome virar uma lenda.

De um moleque deprimido de Seattle à personificação do rockstar que não queria ser rockstar, Nevermind é decididamente sua obra-prima, ou a que reflete melhor o impacto causado pela banda na mídia, já que In Utero (1993) foi um disco difícil e Bleach (1989) era barulhento e sujo demais para o mundo mainstream.

Embora Kurt seja a estrela principal, é necessário lembrar que o Nirvana era uma banda, e que o disco foi feito por três pessoas: Kurt, o baixista Krist Novoselic e o baterista Dave Grohl, que muitas vezes ficam à sombra da grande estrela que era Cobain

A prova disso, é que muitos que veem os Foo Fighters na televisão hoje em dia não sabem que o vocalista era o baterista do Nirvana.

O disco abre com a faixa definitiva do grunge, Smells Like Teen Spirit, responsável por derrubar das paradas as bandas cabeludas de Hollywood. Todo o disco segue a fórmula do Nirvana, músicas simples, distorcidas e com letras inspiradas pela heroína e pela depressão. A diferença desse para Bleach é que Nevermind é bem mais limpo em termos de produção, o que pode ter facilitado o sucesso.

Porém, a maioria das pessoas conhece apenas o lado MTV de Nevermind: os singles Come As You Are, Lithium (o ode à bipolaridade), In Bloom (mais um dos conhecidos desprezos de Kurt Cobain à vida), a já citada Teen Spirit e a balada sobre estupro, Polly, que ganhou uma versão punk na coletânea Incesticide, de 1992, lançada para manter o Nirvana na cabeça dos fãs de rock enquanto eles não lançavam um disco novo.

Mas, as músicas mais interessantes (já que, de tanto ouvir o disco, os singles acabam ficando cansativos) são as de 7 a 12: Territorial Pissings, Drain You (minha preferida de todas do Nirvana, com momentos de insanidade musical e uma letra sobre submissão no amor), Lounge Act, Stay Away (um punk rock que tem uma versão alternativa chamada Pay to Play, presente no bootleg Outcesticide) e On a Plain, que é mais legal no original do que em sua versão acústica de 1994, tão conhecida pelo mundo.

Para encerrar, um drama choroso com direito a violoncelos e quase inaudível em volumes baixos, Something in the Way - uma história extremamente romantizada sobre a época em que Kurt Cobain vivia nas ruas.

Gostando ou não, é impossível discordar: Nevermind, Kurt e o Nirvana marcaram época em várias gerações. Qualquer que seja a teoria sobre sua morte, suicídio ou assassinato, aqui fica mais uma homenagem: descanse em paz, Kurt Donald Cobain.

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