sábado, 12 de maio de 2012

The Beatles - White Album


Por que – na minha humilde opinião – o White Álbum é o melhor disco da carreira dos Beatles e um dos melhores da história do rock?

Pra começar, o óbvio: é o disco deles que teve mais canções (30 músicas dispostas em 2 LPs), e se tratando de uma banda tão regular como eram os 4 meninos de Liverpool, quanto mais musicas, mais acertos tinha por ali!

Como o próprio Lennon dizia ('Era John e a banda, Paul e a banda, George e a banda'), tratava-se do inicio do fim dos Beatles, a individualização das vontades, num conflito que gerou alguma das composições mais espetaculares de cada um deles, como se quisessem provar o quanto eram fortes individualmente (até o Ringo brilha com sua primeira composição gravada num disco da banda – Don’t Pass Me By).

Dessa guerrinha interna, ganhamos um disco que não busca soar como um trabalho uniforme, e ao deixar vencer a heterogeneidade, podemos encontrar de tudo ali: Rock n' Roll, Blues, Reggae, Soul, Jazz, Country, Pop, etc.

De Paul McCartney, obras-primas como Back in the USSR, Ob-La-Di, Ob-La-Da, Martha My Dear, Blackbird, Rocky Raccoon, Why Don’t We Do It in the Road, Helter Skelter (o primeiro heavy metal da história? Não, mas sim um dos melhores com toda certeza!) e Honey Pie.

De Lennon, maravilhas como Dear Prudence, Happiness is a Warm Gun (uma musica em 4/4, 3/4, 6/8, 3/4 e, por fim, 4/4 no refrão? E ainda existe alguns loucos pra dizer que Beatles é música simples!!!), I’m So Tired, Julia, Yer Blues, Sexy Sadie, Cry Baby Cry e Good Night.

De Harrison, as espetaculares While My Guitar Gently Weeps (Clapton quebrando tudo nos áureos tempos em que era God!), Piggies, Long, Long, Long e Savoy Truffle.
E lá se vão 44 anos, as carreiras solos que comprovariam os talentos individuais fora do espaço Beatles vingaram (sim, eu acredito que existiram ótimas obras solos dos 4, é só ir lá ouvir que se acha!) e milhares de listas no decorrer destas 4 décadas só reafirmariam o óbvio: White Album sempre estará entre os melhores discos da história do rock (e quem sou eu pra discordar de tamanha verdade?).

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Beady Eye - Different Gear, Still Speeding

Tão logo Noel Gallagher saiu do Oasis, Liam Gallagher anunciou que não continuaria com a banda sem o irmão. De fato, não fazia sentido continuar. Era como uma pessoa viver sem cérebro.

Então, Liam e os outros membros restantes do que era o Oasis decidiram montar o Beady Eye, dentre eles, Gem Archer, amigo pessoal de Noel desde antes mesmo da entrada dele na finada banda, em idos de 1999.

E tão logo foram anunciadas as atividades do novo grupo, foi adicionado um novo membro a banda, Jeff Wooton, para o baixo, uma vez que Andy Bell voltava a tocar guitarra, seu instrumento de origem, dos tempos de Ride e Hurricane #1

Nisso, o quinteto tratou de se enfiar no estúdio e iniciar o processo de gravação de um novo disco, e então, eis que sai Different Gear, Still Speeding, e é sobre ele que a gente vai falar um pouco sobre.

Ao dar o play no disco e ouvir Four Letter Word, a primeira impressão que se tem, é de que essa faixa provavelmente seria single num eventual próximo disco do Oasis. Ou pelo menos tinha potencial para ser. Four Letter Word é empolgante do início ao fim, com guitarras empolgantes e uma bateria implacável.

Outra que chama muita atenção, e justamente por isso se tornou a música mais bem sucedida do disco, The Roller. Mas diferentemente da faixa de abertura, ela é mais tranquila, bem ao estilo de algumas baladinhas do Oasis.

Inclusive, pode até ser enjoativo depois de um certo tempo, mas as comparações de algumas faixas do Beady Eye com as do antigo grupo de Liam são inevitáveis. Primeiro, pela voz. Segundo, pela sonoridade. 

Mas por outro lado, há faixas que desentoam totalmente do que o Gallagher menos talentoso vinha fazendo nos últimos 15 anos. Beatles and Stones e Bring the Light são os maiores exemplos disso.

Para a composição de ambas, a banda foi buscar influências nas décadas de 50 e 60, nos primórdios do rock n' roll. A primeira soa como uma música do The Who. Rápida, insana e com uma mensagem de fácil captação. A segunda, por sua vez, é uma surpresa das grandes, pois em outros tempos, dificilmente se imaginaria Liam Gallagher cantando uma música com um piano rápido ao melhor estilo Jerry Lee Lewis e com corais femininos.

Mas tão logo acaba a histeria de Bring the Light e a banda volta a investir em músicas mais lentas e alongadas, tal como a bonitinha For Anyone e a belíssima Kill for a Dream, que soa como uma continuação de algo como Stop Crying Your Heart Out (Heathen Chemistry, 2002).

Mas não, o disco não vai acabar lento. Standing on the Edge of the Noise aparece como uma espécie de flashback, nos fazendo remeter ao Liam de Definitely Maybe (1994), quase num mashup de Cigarettes & Alcohol e Bring it on Down.

O álbum podia ser encerrado em The Beat Goes On, que se tivesse sido reconhecido o valor dela, teria tudo pra ser uma das grandes músicas dessa geração, além dela ter uma roupagem de encerramento de disco.

Mas a banda ainda tinha folego para mais uma faixa. E das longas. The Morning Son, de pouco mais de 6 minutos, fecha o disco de uma forma bem diferente da qual ele começa. Aliás, há quem diga que nessa música há um recado para Noel, embora Liam negue.

No mais, com o High Flying Birds de Noel sendo lançado pouco tempo depois, ficou a ratificação de quem era o Gallagher mais talentoso, o mais velho. 

Porém, Liam, com a ajuda fundamental de Bell e Archer surpreende ao mostrar que era possível fazer um bom disco sem Noel. É bem verdade que não é um disco espetacular, como costumavam ser os do Oasis, mas é bom. Aliás, é muito melhor do que as pessoas esperavam.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Duran Duran - Rio

Rio é o disco mais bem sucedido da longa carreira do Duran Duran. Só isso já bastaria pra dizer que é um disco que merece respeito, e mais do que isso, muita atenção de quem vai ouvi-lo.

Lançado em 1982, foi o segundo trabalho de estúdio da banda a ganhar as lojas. Não diferente do primeiro, o homônimo Duran Duran (1981), este segundo album também foi uma verdadeira fábrica de hits que dominaram as paradas por muito tempo e perduram até hoje nos shows da banda.

A primeira música é a que dá nome ao trabalho, e como também é de conhecimento geral, um dos maiores hits da banda, Rio

Toda trabalhada nos teclados de Nick Rhodes e no baixo implacável de John Taylor, ela traz consigo uma energia que se traduz na sua velocidade, sem contar o refrão empolgante.

Outro hit absoluto foi Hungry Like the Wolf, que segue basicamente a mesma linha da faixa-título. Aliás, é importante dizer que Rio é antes de qualquer coisa, um disco que te deixa pra cima.

My Own Way também foi single. Como o próprio título sugere, ela fala basicamente sobre ter seu próprio caminho, seu próprio jeito de fazer as coisas, o que diga-se de passagem, é uma mensagem bem legal a ser passada em uma música.

Outros grandes destaques desse disco, embora não tenham tido tanta publicidade, mas sempre foram músicas muito queridas pelos fãs e tocadas pela banda até hoje são New Religion e The Chaffeur, que inclusive, fecha o disco.

Mas não tem como falar de Rio sem falar de Save a Prayer. É bem verdade que, por hora, ela diminui o ritmo frenético que a banda imprime ao longo do disco. Por outro lado, não há discussão quando a questão é qual é o maior hit não só desse disco, mas de toda a carreira do Duran Duran.

Nela, mais uma vez o elemento fundamental com que faz com que a música seja reconhecida até os dias de hoje em qualquer lugar do mundo, são os teclados de Nick Rhodes. Lógicamente que o baixo de John Taylor e a maneira singular com que Simon LeBon canta também são adereços a serem devidamente destacados.

Por fim, não há a necessidade de, mais uma vez, recomendar que se ouça Rio. Depois desse desfile de sucessos e o fato de ser o disco de mais notoriedade (com o perdão do trocadilho) do Duran Duran, só resta dizer: Ouça e seja feliz.

sábado, 5 de maio de 2012

Beastie Boys - Licensed to Ill

Bom, como vocês viram, Adam Yauch, ou melhor, o MCA, morreu ontem aos 47 anos, em decorrência de um cancer cujo qual ele já vinha lutando contra há algum tempo.

Nisso, a querida da Catharina, que sempre me cede ótimos textos, me ofereceu um pequeno texto sobre o Licensed to Ill (1986) pra que eu postasse aqui. Sendo assim, esse post servirá como uma espécie de homenagem. No mais, vamos a ele.

Que o hip-hop foi deveras inventado por afro-americanos, disso todo mundo sabe. 

Mas nem todo mundo sabe que três branquelos judeus fizeram o primeiro disco do estilo a atingir o primeiro lugar da Billboard, e este disco é Licensed to Ill

Os Beastie Boys começaram a carreira como uma banda de hardcore, em 1979 e depois começaram a flertar com o hip-hop, porém sem abandonar suas raízes rock n' roll - tanto que o guitarrista da banda de thrash metal Slayer, Kerry King, faz uma participação na faixa No Sleep Till Brooklyn

Com letras sobre festas, garotas e a clássica trangressão juvenil, eles mesclam o scratching das pick-ups com guitarras distorcidas sem nunca perder o bom humor, característico de seus videoclipes sempre bem pensados.

#RIPMCA

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Adam Yauch do Beastie Boys morre aos 47 anos

Com informações do Terra:

Adam Yauch, conhecido como o rapper MCA do trio Beastie Boys, morreu nesta sexta-feira (4), nos Estados Unidos, aos 47 anos. As informações são do site TMZ.

MCA tratava desde 2009 de um câncer na glândula parótida e um linfoma. Porém, até agora, não se sabe se o músico morreu por causa da doença.

Ao lado de Mike "Mike D" Diamond e Adam "Ad-Rock" Horowitz, MCA co-fundou Beastie Boys em 1981. Antes disso, em 1979, D e Ad-Rock formaram a banda de punk-rock The Young Aborigines, gênero que perdurou na música do trio.
 
Vencedor de três Grammys, o grupo chamou a atenção na música norte-americana por fazer rap com elementos do hardcore, diferente das batidas sampleadas de outros artistas do gênero. 

Com a descoberta da doença e tratamento de Yauch, o trio não faz apresentações desde 2009. Porém, no ano passado, o Beastie Boys lançou o disco Hot Sauce Committee Part Two, depois de dois anos de atraso. O projeto seria lançado em dois discos, mas com o hiato do grupo, e agora, como a morte de MCA, não se sabe se haverá sequência. O rapper também não estava presente na introdução do Beastie Boys ao Hall da Fama do Rock, em abril. Ele deixa a mulher e uma filha.

O trio alcançou a fama logo no primeiro álbum, Licensed to Ill (1986), com faixas como Fight for Your Right, No Sleep Till Brooklyn, Hold It Now, Hit It. Os três trabalhos seguintes, Paul's Boutique (1989), Check Your Head (1992) e Ill Communication (1994), mantiveram o Beastie Boys como um dos atos mais importantes da música norte-americana.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

New Order - Brotherhood

É bem verdade que o New Order começou a se encontrar dentro da música eletrônica somente em 1983, no seu segundo álbum, o Power, Corruption & Lies.

Porém, o domínio absoluto da banda dentro do synthpop veio três anos mais tarde, com Brotherhood.

O disco que trazia como seu carro-chefe a balada dançante Bizarre Love Triangle não só fez com que cada vez mais pessoas fossem para as pistas de dança como se não houvesse amanhã, mas também conseguiu agradar fãs de rock, até mesmo os mais saudosistas para com a Joy Division, banda que veio a originar o New Order depois do suicídio do vocalista Ian Curtis.

Aliás, o disco já é iniciado com uma eletrônica que empolga bastante, Paradise. Inclusive, classificar uma música do New Order, sobretudo desse disco como dançante, chega a ser praticamente um caso de pleonasmo.

Mas como bem se sabe, os discos do New Order nunca consistiram apenas em música eletrônica. Eles nunca deixaram o rock de lado. Ou melhor dizendo, o post-punk.

Prova disso é Broken Promise, que como não podia deixar de ser, tem como suas principais características, a bateria acelerada de Stephen Morris, que nos faz ter a impressão de ser uma máquina tocando, além claro, do baixo de Peter Hook se fazendo presente sobre todos os outros instrumentos.

Mas antes de finalizar, se existe uma faixa nesse álbum que merece uma atenção mais do que especial, é All Day Long, que é uma das faixas mais experimentais feitas pela banda até então. E convenhamos, que o período entre 1983 e 1989 foi o qual a banda mais experimentou. E não só musicalmente falando.

A faixa em questão traz consigo algo quase transcendental. Os teclados de Gillian Gilbert aliados ao baixo oitavado de Peter Hook e a voz de Bernard Sumner em um tom mais suavizado fazem com que a música seja a definição de dream pop, pois melodicamente, seria a trilha sonora perfeita para bons sonhos.

No mais, resta dizer que é um disco altamente recomendável a qualquer pessoa, independente do gosto, seja ele mais pop, ou então, moderadamente roqueiro.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Keane - Strangeland

A espera acabou. Depois de quatro anos, finalmente saiu Strangeland, o quarto álbum de estúdio do Keane

Na verdade, ele ainda não saiu, uma vez que seu lançamento oficial está marcado para o próximo dia sete, conforme foi anunciado aqui.

Sendo assim, vamos tentar colocar de uma outra forma: Vazaram o disco.

Pois bem. Ao longo dos últimos anos, algumas dessas bandas mais novas, ou que só vieram a ganhar notoriedade na última decada, tentaram fazer mudanças periódicas ou bruscas em sua sonoridade. 


Temos como exemplo de como não fazer isso o Strokes, com o seu Angles (2011) e o The Killers em Day & Age (2008).

Com o Keane a coisa já é um pouco diferente. A mudança ao longo dos anos finalmente tem uma explicação plausível. A resposta para todas as perguntas que os fãs vinham fazendo no período correspondente entre Hopes and Fears (2004) e Perfect Symmetry (2008) está em Strangeland.

A banda estava passando por um processo de evolução, até chegar a maturidade plena de seu som. Não que não houvesse isso nos outros discos da banda. Aliás, Hopes and Fears (2004) é um dos discos mais "feitos com o coração" já produzidos na história da música.

O ponto é, Strangeland é como uma espécie de apanhado da discografia do Keane até então, salvo algumas novas influências, até bastante naturais nesse processo.

Aliás, ainda falando em Hopes and Fears (2004), muito se disse que o Keane havia retornado à sua sonoridade original em Strangeland. Talvez sim, mas um pouco. Não tanto quanto disseram por aí.

Primeiramente porque Strangeland é um disco muito mais pessoal do que os seus antecessores. Hopes and Fears era o disco que o Keane precisava pra entrar no mainstream e mostrar que veio a serviço. Já Under the Iron Sea (2006) procurava a consolidação do sucesso, e Perfect Symmetry (2008) por sua vez, era o auge.

Pois bem, vamos as faixas. You Are Young abre o disco de maneira serena. Logo na primeira nota do piano já se tem certeza: É Keane!

Aliás, Tim Rice-Oxley conseguiu uma coisa no rock que normalmente baixistas e guitarristas conseguem, que é fazer com que as pessoas saibam que é um determinado músico que está tocando. É quase um processo de associação de nome à imagem. Nesse caso, de nome ao som.

A segunda faixa é hit absoluto. Pelo menos do disco. Silenced by the Night tem um refrão viciante e uma melodia deliciosa, que acalma a mente de modo quase inexplicável.

Aliás, falando em bons refrões, encontra-se um quase tão bom quanto o de Silenced by the Night mais à metade do disco, em The Starting Line.

E quando digo que Silenced by the Night é hit absoluto do disco, é porque Strangeland é um disco tão pessoal, tão feito para os fãs e para a própria banda, que talvez a crítica "especializada" não reconheça a qualidade presente nele, classificando-o como um disco "difícil".

Em todo caso, quem disse que o Keane era fácil? Se querem coisas fáceis e sem sentido, que vão ouvir o último do Arctic Monkeys então.

Mas voltando ao que interessa, logo na primeira audição de Strangeland algumas faixas se destacam e saltam aos olhos mais do que as outras. Watch How You Go é uma delas. Soa como um dia chuvoso e cinzento.

Por outro lado, nem tudo é tristeza no novo álbum do Keane. Quando eu disse logo acima que novas influências foram introduzidas no som da banda nesse novo trabalho, elas aparecem gritantemente em faixas mais rápidas e dançantes como On the Road e na quase eletrônica Day Will Come.

Outra que não poderia deixar de ser citada e que provavelmente será o próximo single, depois de Disconnected, é Sovereign Light Cafe, que fala basicamente de um cara tentando falar com uma mulher, mas ela não dá a mínima para o que ele diz. Tema recorrente nas músicas do Keane.

O disco é finalizado de maneira mais serena do que começou. Sea Fog é carregada do início ao fim com um piano bastante introspectivo, dando o tom certo que o fim do disco precisa, como se fosse uma despedida.

E como já foi dito antes, Strangeland pode até ser classificado como um disco difícil. Mas, como também já foi mencionado anteriormente, ele consegue misturar todas as vertentes usadas nos discos da banda até então, desde uma música mais triste levada num piano, ou então ter elementos mais sintetizados, eletrônicos.

Por fim, o fato é que Strangeland não é um disco para angariar novos fãs para o Keane. É uma espécie de agrado aos antigos.

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