terça-feira, 15 de maio de 2012

Arctic Monkeys - Live at the Apollo

Quando uma banda lança um disco ao vivo, a primeira coisa que se imagina, é que esta tenha uma ligeira bagagem ou um sucesso consolidado. Mas a grande verdade é que nem sempre.

Quando se pega um álbum ao vivo para que se faça a analise dele, faixa a faixa, a primeira ideia que se tem é de que a banda selecionou as suas melhores músicas para esta ocasião. Neste caso, sempre.

Quando o Arctic Monkeys lançou seu Live at the Apollo em 2008, pudemos verificar todos os exemplos citados.

A banda havia lançado dois discos consistentes, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not (2006) e Favourite Worst Nightmare (2007), com isso, se tornando uma das maiores promessas do rock inglês para a década.

O show, e por consequência, o disco, é aberto com Brianstorm. A julgar pela versão do disco, imagina-se que o show já começaria pegando fogo. Ledo engano. E mais do que isso, uma certeza da qual já se desconfiava desde que a banda começou a despontar no cenário alternativo britânico: A de que Arctic Monkeys é fraco ao vivo. Fraquíssimo.

Nem mesmo a sequência Teddy Picker, I Bet You Look Good on the Dancefloor, Dancing Shoes e a ótima From the Ritz to the Rubble são capazes de empolgar. Falta pegada.

Em Fluorescent Adolescent, maior hit da banda, a falta de energia chega a dar sono em quem está ouvindo, ou na pior das hipóteses, assistindo ao DVD.

No fim, ainda tentam inutilmente salvar o trabalho as boas A Certain Romance e The View from the Afternoon, mas já era tarde.

Mas como desgraça pouca é bobagem, na sequência o Arctic Monkeys conseguiu a proeza de lançar não um, mas dois discos péssimos, que são Humbug (2009) e Suck it and See (2011).

E apesar do passar dos anos, a banda não conseguiu melhorar sua performance ao vivo, ou seja, continua ruim; só que agora com um show que dá ênfase nas músicas novas. E ruins.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Muse - Absolution

Se hoje o Muse é uma das maiores bandas de rock do mundo, antes do lançamento do seu terceiro disco em 2003 não poderia se dizer o mesmo. 

Com dois discos lançados, Showbiz (1999) e Origin of Symmetry (2001), o grupo liderado por Matt Bellamy ainda buscava o sucesso absoluto. E ele veio. Com Absolution. Olha que jogo de palavras.

É evidente que o disco se apoia em seus maiores hits, como Stockholm Syndrome, com uma bateria no mínimo insana e pianos que ecoam por todas as saídas de áudio que se possa imaginar ao ouvir a faixa. 

Outro dos hits principais que sustenta o disco é Hysteria, que diga-se de passagem, tem uma das melhores linhas de baixo da história. Além claro, da incontestável Time is Running Out, que é um dos hinos dessa geração.

Aliás, como era de se esperar, essas três faixas foram os primeiros singles desse disco. Nessa ordem. E quando eu digo os primeiros, é porque diferentemente de outros albuns de outras bandas, que geralmente possuem três, ou na melhor das hipóteses, quatro singles, Absolution tem seis.

Quando lançado, o disco, e consequentemente a banda, foram exaustivamente comparados ao Radiohead. Até com certa razão, pois faixas como Sing for Absolution trazem consigo muita influência da banda de Thom Yorke, como um piano sofrido que carrega a faixa do início ao fim, além dos vocais de Matt Bellamy, que de fato, fazem e muito lembrar Yorke.

No que se refere a temática das letras, Absolution pode ser classificado como um disco com sérios transtornos de personalidade. Culpa de seu principal criador. Em suma, é um disco bipolar.

Ao mesmo tempo em que ele fala sobre realizações pessoais e dados momentos de euforia. Em outros a mensagem é a de medo, desespero e falta de confiança.

Mas nem tudo em Absolution é só piano, ou guitarras distorcidas, baixos com efeito e baterias rápidas. A banda também sempre foi interessada em adereços eletrônicos. Butterflies and Hurricanes é a prova cabal disso. Com uma verve absolutamente oitentista, ela tem uma pegada mais dançante, apesar de ligeiramente quebrar o ritmo frenético presente na maior parte do disco.

Absolution foi, sem sombra de duvida, o disco que consagrou o Muse e os tornou a banda que eles são hoje, com o status de supergrupo que eles possuem nos dias atuais ao redor do mundo. 

Além do mais, fez com que a banda conquistasse novos fãs e adquirisse a bagagem necessária para manter a regularidade dali pra frente e produzir discos tão bons quanto, tais como Black Holes and Revelations (2006) e The Resistance (2009).

sábado, 12 de maio de 2012

The Beatles - White Album


Por que – na minha humilde opinião – o White Álbum é o melhor disco da carreira dos Beatles e um dos melhores da história do rock?

Pra começar, o óbvio: é o disco deles que teve mais canções (30 músicas dispostas em 2 LPs), e se tratando de uma banda tão regular como eram os 4 meninos de Liverpool, quanto mais musicas, mais acertos tinha por ali!

Como o próprio Lennon dizia ('Era John e a banda, Paul e a banda, George e a banda'), tratava-se do inicio do fim dos Beatles, a individualização das vontades, num conflito que gerou alguma das composições mais espetaculares de cada um deles, como se quisessem provar o quanto eram fortes individualmente (até o Ringo brilha com sua primeira composição gravada num disco da banda – Don’t Pass Me By).

Dessa guerrinha interna, ganhamos um disco que não busca soar como um trabalho uniforme, e ao deixar vencer a heterogeneidade, podemos encontrar de tudo ali: Rock n' Roll, Blues, Reggae, Soul, Jazz, Country, Pop, etc.

De Paul McCartney, obras-primas como Back in the USSR, Ob-La-Di, Ob-La-Da, Martha My Dear, Blackbird, Rocky Raccoon, Why Don’t We Do It in the Road, Helter Skelter (o primeiro heavy metal da história? Não, mas sim um dos melhores com toda certeza!) e Honey Pie.

De Lennon, maravilhas como Dear Prudence, Happiness is a Warm Gun (uma musica em 4/4, 3/4, 6/8, 3/4 e, por fim, 4/4 no refrão? E ainda existe alguns loucos pra dizer que Beatles é música simples!!!), I’m So Tired, Julia, Yer Blues, Sexy Sadie, Cry Baby Cry e Good Night.

De Harrison, as espetaculares While My Guitar Gently Weeps (Clapton quebrando tudo nos áureos tempos em que era God!), Piggies, Long, Long, Long e Savoy Truffle.
E lá se vão 44 anos, as carreiras solos que comprovariam os talentos individuais fora do espaço Beatles vingaram (sim, eu acredito que existiram ótimas obras solos dos 4, é só ir lá ouvir que se acha!) e milhares de listas no decorrer destas 4 décadas só reafirmariam o óbvio: White Album sempre estará entre os melhores discos da história do rock (e quem sou eu pra discordar de tamanha verdade?).

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Beady Eye - Different Gear, Still Speeding

Tão logo Noel Gallagher saiu do Oasis, Liam Gallagher anunciou que não continuaria com a banda sem o irmão. De fato, não fazia sentido continuar. Era como uma pessoa viver sem cérebro.

Então, Liam e os outros membros restantes do que era o Oasis decidiram montar o Beady Eye, dentre eles, Gem Archer, amigo pessoal de Noel desde antes mesmo da entrada dele na finada banda, em idos de 1999.

E tão logo foram anunciadas as atividades do novo grupo, foi adicionado um novo membro a banda, Jeff Wooton, para o baixo, uma vez que Andy Bell voltava a tocar guitarra, seu instrumento de origem, dos tempos de Ride e Hurricane #1

Nisso, o quinteto tratou de se enfiar no estúdio e iniciar o processo de gravação de um novo disco, e então, eis que sai Different Gear, Still Speeding, e é sobre ele que a gente vai falar um pouco sobre.

Ao dar o play no disco e ouvir Four Letter Word, a primeira impressão que se tem, é de que essa faixa provavelmente seria single num eventual próximo disco do Oasis. Ou pelo menos tinha potencial para ser. Four Letter Word é empolgante do início ao fim, com guitarras empolgantes e uma bateria implacável.

Outra que chama muita atenção, e justamente por isso se tornou a música mais bem sucedida do disco, The Roller. Mas diferentemente da faixa de abertura, ela é mais tranquila, bem ao estilo de algumas baladinhas do Oasis.

Inclusive, pode até ser enjoativo depois de um certo tempo, mas as comparações de algumas faixas do Beady Eye com as do antigo grupo de Liam são inevitáveis. Primeiro, pela voz. Segundo, pela sonoridade. 

Mas por outro lado, há faixas que desentoam totalmente do que o Gallagher menos talentoso vinha fazendo nos últimos 15 anos. Beatles and Stones e Bring the Light são os maiores exemplos disso.

Para a composição de ambas, a banda foi buscar influências nas décadas de 50 e 60, nos primórdios do rock n' roll. A primeira soa como uma música do The Who. Rápida, insana e com uma mensagem de fácil captação. A segunda, por sua vez, é uma surpresa das grandes, pois em outros tempos, dificilmente se imaginaria Liam Gallagher cantando uma música com um piano rápido ao melhor estilo Jerry Lee Lewis e com corais femininos.

Mas tão logo acaba a histeria de Bring the Light e a banda volta a investir em músicas mais lentas e alongadas, tal como a bonitinha For Anyone e a belíssima Kill for a Dream, que soa como uma continuação de algo como Stop Crying Your Heart Out (Heathen Chemistry, 2002).

Mas não, o disco não vai acabar lento. Standing on the Edge of the Noise aparece como uma espécie de flashback, nos fazendo remeter ao Liam de Definitely Maybe (1994), quase num mashup de Cigarettes & Alcohol e Bring it on Down.

O álbum podia ser encerrado em The Beat Goes On, que se tivesse sido reconhecido o valor dela, teria tudo pra ser uma das grandes músicas dessa geração, além dela ter uma roupagem de encerramento de disco.

Mas a banda ainda tinha folego para mais uma faixa. E das longas. The Morning Son, de pouco mais de 6 minutos, fecha o disco de uma forma bem diferente da qual ele começa. Aliás, há quem diga que nessa música há um recado para Noel, embora Liam negue.

No mais, com o High Flying Birds de Noel sendo lançado pouco tempo depois, ficou a ratificação de quem era o Gallagher mais talentoso, o mais velho. 

Porém, Liam, com a ajuda fundamental de Bell e Archer surpreende ao mostrar que era possível fazer um bom disco sem Noel. É bem verdade que não é um disco espetacular, como costumavam ser os do Oasis, mas é bom. Aliás, é muito melhor do que as pessoas esperavam.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Duran Duran - Rio

Rio é o disco mais bem sucedido da longa carreira do Duran Duran. Só isso já bastaria pra dizer que é um disco que merece respeito, e mais do que isso, muita atenção de quem vai ouvi-lo.

Lançado em 1982, foi o segundo trabalho de estúdio da banda a ganhar as lojas. Não diferente do primeiro, o homônimo Duran Duran (1981), este segundo album também foi uma verdadeira fábrica de hits que dominaram as paradas por muito tempo e perduram até hoje nos shows da banda.

A primeira música é a que dá nome ao trabalho, e como também é de conhecimento geral, um dos maiores hits da banda, Rio

Toda trabalhada nos teclados de Nick Rhodes e no baixo implacável de John Taylor, ela traz consigo uma energia que se traduz na sua velocidade, sem contar o refrão empolgante.

Outro hit absoluto foi Hungry Like the Wolf, que segue basicamente a mesma linha da faixa-título. Aliás, é importante dizer que Rio é antes de qualquer coisa, um disco que te deixa pra cima.

My Own Way também foi single. Como o próprio título sugere, ela fala basicamente sobre ter seu próprio caminho, seu próprio jeito de fazer as coisas, o que diga-se de passagem, é uma mensagem bem legal a ser passada em uma música.

Outros grandes destaques desse disco, embora não tenham tido tanta publicidade, mas sempre foram músicas muito queridas pelos fãs e tocadas pela banda até hoje são New Religion e The Chaffeur, que inclusive, fecha o disco.

Mas não tem como falar de Rio sem falar de Save a Prayer. É bem verdade que, por hora, ela diminui o ritmo frenético que a banda imprime ao longo do disco. Por outro lado, não há discussão quando a questão é qual é o maior hit não só desse disco, mas de toda a carreira do Duran Duran.

Nela, mais uma vez o elemento fundamental com que faz com que a música seja reconhecida até os dias de hoje em qualquer lugar do mundo, são os teclados de Nick Rhodes. Lógicamente que o baixo de John Taylor e a maneira singular com que Simon LeBon canta também são adereços a serem devidamente destacados.

Por fim, não há a necessidade de, mais uma vez, recomendar que se ouça Rio. Depois desse desfile de sucessos e o fato de ser o disco de mais notoriedade (com o perdão do trocadilho) do Duran Duran, só resta dizer: Ouça e seja feliz.

sábado, 5 de maio de 2012

Beastie Boys - Licensed to Ill

Bom, como vocês viram, Adam Yauch, ou melhor, o MCA, morreu ontem aos 47 anos, em decorrência de um cancer cujo qual ele já vinha lutando contra há algum tempo.

Nisso, a querida da Catharina, que sempre me cede ótimos textos, me ofereceu um pequeno texto sobre o Licensed to Ill (1986) pra que eu postasse aqui. Sendo assim, esse post servirá como uma espécie de homenagem. No mais, vamos a ele.

Que o hip-hop foi deveras inventado por afro-americanos, disso todo mundo sabe. 

Mas nem todo mundo sabe que três branquelos judeus fizeram o primeiro disco do estilo a atingir o primeiro lugar da Billboard, e este disco é Licensed to Ill

Os Beastie Boys começaram a carreira como uma banda de hardcore, em 1979 e depois começaram a flertar com o hip-hop, porém sem abandonar suas raízes rock n' roll - tanto que o guitarrista da banda de thrash metal Slayer, Kerry King, faz uma participação na faixa No Sleep Till Brooklyn

Com letras sobre festas, garotas e a clássica trangressão juvenil, eles mesclam o scratching das pick-ups com guitarras distorcidas sem nunca perder o bom humor, característico de seus videoclipes sempre bem pensados.

#RIPMCA

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Adam Yauch do Beastie Boys morre aos 47 anos

Com informações do Terra:

Adam Yauch, conhecido como o rapper MCA do trio Beastie Boys, morreu nesta sexta-feira (4), nos Estados Unidos, aos 47 anos. As informações são do site TMZ.

MCA tratava desde 2009 de um câncer na glândula parótida e um linfoma. Porém, até agora, não se sabe se o músico morreu por causa da doença.

Ao lado de Mike "Mike D" Diamond e Adam "Ad-Rock" Horowitz, MCA co-fundou Beastie Boys em 1981. Antes disso, em 1979, D e Ad-Rock formaram a banda de punk-rock The Young Aborigines, gênero que perdurou na música do trio.
 
Vencedor de três Grammys, o grupo chamou a atenção na música norte-americana por fazer rap com elementos do hardcore, diferente das batidas sampleadas de outros artistas do gênero. 

Com a descoberta da doença e tratamento de Yauch, o trio não faz apresentações desde 2009. Porém, no ano passado, o Beastie Boys lançou o disco Hot Sauce Committee Part Two, depois de dois anos de atraso. O projeto seria lançado em dois discos, mas com o hiato do grupo, e agora, como a morte de MCA, não se sabe se haverá sequência. O rapper também não estava presente na introdução do Beastie Boys ao Hall da Fama do Rock, em abril. Ele deixa a mulher e uma filha.

O trio alcançou a fama logo no primeiro álbum, Licensed to Ill (1986), com faixas como Fight for Your Right, No Sleep Till Brooklyn, Hold It Now, Hit It. Os três trabalhos seguintes, Paul's Boutique (1989), Check Your Head (1992) e Ill Communication (1994), mantiveram o Beastie Boys como um dos atos mais importantes da música norte-americana.

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