sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A nova peripécia de Julian Casablancas

Já faz um tempo que percebemos que o sr. Julian Casablancas, vocalista dos Strokes e ex "salvador do rock", entrou numa vibe diferente... Desde 2009, quando lançou seu disco solo, Phrazes for the Young, era perceptível que aquele rock sujo de garagem, que fez a banda tão conhecida e prestigiada, estava no passado. A prova definitiva de que os dias de Is This It? ficaram para trás veio com Angles, disco mais recente da banda, com muitas influências eletrônicas e que motivou críticas até mesmo dos fãs mais radicais e de seus próprios membros - poucas faixas são agradáveis, mesmo com muitas audições do disco, para aqueles fãs da raiz mais punk e barulhenta da banda. Agora, eles soam como uma versão mais fraca dos Killers ou como o disco solo de Julian.

E então, a internet começa a pipocar, nesse exato dia, com links da nova música dos Strokes, One Way Trigger. A reação aos primeiros segundos da música é "já ouvi isso antes". Mas aonde? E então você se recorda... A novela Cheias de Charme! A Banda Uó! Os churrascos na laje! A marca registrada do Norte do Brasil, o tecnobrega! Sim, queridos amigos, a banda resolveu aproveitar seu sangue brasileiro (para aqueles esquecidos, o baterista Fabrizio Moretti é brasileiro, e inclusive, membro do Little Joy, em parceria com Rodrigo Amarante dos Los Hermanos) e incorporar uma tendência no mínimo inusitada ao seu som, desfazendo todos os seus laços com o garage rock revival de seu dourado primeiro lançamento.

Para encerrar esse post, uma citação de Gaby Amarantos, a diva do tecnobrega.


Deixo outras opiniões a respeito dessa pérola da carreira dos Strokes a cargo de vocês, leitores.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

The Strokes - First Impressions of Earth

Na primeira metade da década passada, os Strokes, liderados por Julian Casablancas iam muito bem das pernas, pois tinham dois discos muito bem recebidos pela crítica especializada, especialmente o primeiro, Is This It (2001)

E verdade seja dita, seu sucessor Room on Fire (2003) não ia muito longe também.

Então, logo no terceiro dia de Janeiro de 2006, a banda mostrou ao mundo seu mais novo trabalho. Ou não.  

First Impressions of Earth já havia sido vazado em grande parte na web em 2005, então, quando saiu, acabou não causando tanta surpresa assim.

Juicebox, lançado como primeiro single ainda em 2005 desponta fácil como melhor faixa do disco, mas acabou ficando enjoativa justamente pelo tempo de antecipação. Musicalmente falando, não se discute a qualidade. O baixo matador de Nikolai Fraiture e o corte a seco no final são os pontos altos da faixa.

Aliás, pode-se dizer seguramente que o baixo é o instrumento fundamental nesse disco, diferentemente de seus antecessores, onde as guitarras dividiam a glória com a bateria. 

Comprovando isso, temos On the Other Side e Vision of Division, onde Fraiture mostra versatilidade ao variar entre linhas mais densas e complexas outras mais corridas e simples.

Como hits óbvios do álbum, aparecem You Only Live Once e Heart in a Cage. A primeira, que abre os trabalhos do disco, diga-se de passagem, deixa claro que os Strokes iriam diminuir drasticamente o ritmo em First Impressions of Earth. Por outro lado, a segunda, que vem logo na sequência de Juicebox, chega a plantar uma dúvida na cabeça do ouvinte, pois é uma pancada que vem seguida de outra.

No mais, First Impressions é basicamente isso. Uma constante alternância entre momentos mais calmos, que representavam a então nova sonoridade que os Strokes queriam implementar em seu trabalho e outros mais rápidos, soando como uma espécie de revisão em tudo o que eles já haviam feito até então.

Não passa nem perto de ser o melhor trabalho deles. Na época, podia se dizer que era o menos agraciado com boas canções, embora fosse de longe o melhor produzido. No entanto, se comparado com o que viria depois com Angles (2011), aí fica sendo um álbum espetacular. 

Tudo uma questão de perspectiva.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

The Replacements - Tim

Em 1985 o grupo liderado por Paul Westerberg, um dos compositores mais cultuados de todos os tempos e que tinha nas quatro cordas um dos caras mais tarimbados e versáteis do rock n' roll, Tommy Stinson, que hoje toca no Guns N' Roses, já desfrutava de uma popularidade relativamente alta.

Se eles haviam conquistado a crítica exatamente um ano antes com o lançamento de Let it Be, no então ano corrente, os Mats descolaram um contrato com uma gravadora para lançarem seu próximo trabalho, Tim, que é a nossa pauta de hoje.

Muito diferente do começo da carreira do grupo, lá pelos idos de 1979, onde eles focavam exclusivamente no punk, com o passar dos anos o som dos Replacements foi ganhando sua própria identidade, fazendo com que eles se tornassem uma das bandas mais autênticas da história do rock alternativo.

No início de Tim as raízes do punk ainda predominam, mais precisamente nas quatro primeiras faixas, com destaque para Kiss Me on the Bus e Dose of Thunder, que fazem mostrar a influência que a banda recebia do Clash, embora houvessem momentos de maior técnica e preciosismo, sobretudo por parte de Paul Westerberg e Tommy Stinson. Dessas quatro, apenas I'll Buy  chega a destoar pelo menos um pouco, trazendo uma pegada mais rockabilly.

No entanto, a curtíssima Waitress in the Sky logo trata de mudar totalmente o panorama e a dinâmica do álbum. Flutuando entre o folk e o country, apresenta-se como uma das faixas mais divertidas do disco.

Aliás, essa capacidade de Westerberg de escrever canções que conseguem ir de um estilo a outro a cada verso, fazendo com que ela não tenha uma definição óbvia aparece também em Swingin' Party, que vem logo na sequência. Nessa, a alternância é entre sons dos anos sessenta e Elvis Costello.

Em tempo e antes de qualquer coisa nesse parágrafo: Que se reconheça que Bastards of Young é um dos hinos definitivos do punk-rock. Só o título ao melhor estilo "pé-na-porta e soco na cara" já sugere muito sobre a mensagem que a música quer passar. Não o bastante, quando a banda teve a oportunidade de produzir um clipe para a divulgação da faixa, eles optaram por simplesmente colocarem um rádio tocando a música. 

O "protesto" em questão era pelo fato de que eles não queriam se adequar às normas da MTV. Ainda não contentes, acabaram por produzir clipes bem parecidos com estes para Hold My Life, que abre o álbum, além de Left of the Dial.

Mais ao final, Little Mascara é o último momento mais próximo de punk do álbum. Mais do que isso, na verdade, é a última com a combinação de baixo, guitarra e bateria.

Como a cereja do bolo, uma das músicas mais bonitas de que se tem notícia encerra Tim. Em Here Comes a Regular o que se vê é um dos momentos mais inspirados de toda a carreira de Westerberg como compositor. Nela a influência do folk volta ao disco, principalmente porque nota-se que boa parte de sua estrutura é bastante similar a de Knockin'on Heaven's Door, clássico de Bob Dylan.

Comercialmente falando, é o disco mais bem sucedido da banda. No entanto, o álbum que tinha tudo para alavancar os Replacements como uma das grandes bandas da história e não relegá-la apenas ao culto na cena alternativa, infelizmente não pôde ajudar tanto assim, uma vez que os shows da banda eram um verdadeiro caos, com os integrantes quase sempre bastante alterados pelo efeito do álcool e por várias vezes deixando de tocar as faixas inteiras. 

Levando isso em conta, entende-se porque os Mats nunca alcançaram o estrelato definitivo. Ou talvez nem fosse essa a vontade de Westerberg. Mas há de se dizer, se a carreira da banda tivesse sido tão bem estruturada como Tim é, eles teriam o feito.

Além do que, há de se considerar e respeitar muito um álbum que, apesar do problema dos clipes e da escolha errônea dos singles, descolou um lugar entre os duzentos melhores discos da história da música. Mais algum motivo pra ir atrás e ouvir?

A História do Glam Metal - Parte 4

Essa quarta parte é dedicada a dois grupos em especial, que merecem enorme destaque na história do glam metal. O primeiro dele é o Guns N' Roses, que mudou para sempre o rumo do estilo. A segunda é Lita Ford, uma dama do heavy metal que iniciou sua carreira no punk, mas se tornou uma lenda por causa do glam.

O Guns N' Roses nasceu da junção de duas bandas indiscutivelmente glam de Los Angeles: o L.A. Guns e o Hollywood Rose, em 1985. Pela falta de comprometimento dos integrantes do L.A. Guns com a nova banda, o vocalista Axl Rose e o guitarrista Izzy Stradlin resolveram recrutar novos membros: o baixista Duff McKagan, o baterista Steven Adler e o guitarrista solo Slash, que havia tentado entrar no Poison um certo tempo atrás. Por motivos óbvios, a banda foi batizada de Guns N' Roses, e tocava um hard rock mais revoltado e menos centrado em diversão do que o restante de seus contemporâneos, o que pode ser explicado pelas influências punks de Duff McKagan, um verdadeiro discípulo de Johnny Thunders. Seu primeiro disco, Appetite for Destruction, foi lançado em julho de 1987, cujos três singles alcançaram enorme sucesso nas paradas norte-americanas. Como não podia deixar de ser, a banda começou a alcançar fama extramusical, por seus integrantes estarem quase sempre afundados em álcool e drogas, além da personalidade forte de Axl Rose, que causava desavenças entre eles e todos os membros.

Enquanto a popularidade da maioria das bandas glam ia decaindo (o público de rock n' roll começou a se diversificar, preferindo sons mais pesados e com temáticas mais populares como as exploradas no thrash metal da Bay Area e no grunge que ia surgindo nas regiões chuvosas de Seattle, Olympia e Minneapolis), a do Guns ia aumentando. Eles não eram uma simples banda glam, como o Poison ou o Ratt. Eles eram infinitamente mais poderosos, exploravam influências e temáticas diferenciadas em sua música, e resolveram dar um golpe de misericórdia em seu caminho para se tornarem a maior banda do mundo no início da década de 1990. O golpe veio em duas partes, e seu nome era Use Your Illusion.

Com grandiosos sucessos, como as baladas Don't Cry, November Rain e Estranged (as duas últimas com mais de 8 minutos de duração), e a trilha sonora de O Exterminador do Futuro, You Could Be Mine, eles realmente conseguiram. A turnê dos UYI foi marcada pela estreia dos novos membros Dizzy Reed (teclado) e Matt Sorum (bateria),  este último substituindo Steven Adler, que estava sofrendo por seu vício em heroína e não conseguia mais tocar bateria. Izzy Stradlin também foi substituído por Gilby Clarke, e, bem lentamente, a "maior banda do mundo" começa a se desfazer. Em 1997, após o lançamento de The Spaghetti Incident? e um cover de Sympathy for the Devil dos Rolling Stones, o único membro original do Guns N' Roses é Axl Rose. Depois disso começa todo o circo de Chinese Democracy, que finalmente saiu e é um ótimo disco, mas isso é história para outro post.

Lita Ford é um capítulo interessante para a história do rock feminino em geral. A loira começou sua carreira aos 16 anos, como guitarrista solo do famoso grupo The Runaways, permanecendo em sua formação até o fim da banda, em 1979 - as constantes brigas entre ela e a vocalista/guitarrista Joan Jett, pela direção musical que a banda iria seguir, foram o motivo do término precoce do grupo, e não a saída de Cherie Currie, como foi mostrado em seu filme autobiográfico (Jett assumiu os vocais principais após a saída de Currie, e as garotas lançaram dois maravilhosos discos como um quarteto). Joan queria seguir suas influências punks, enquanto Lita era uma entusiasta do heavy metal, gênero que seguiu em sua carreira solo.

Uma conexão interessante (e puramente extramusical) de Lita Ford com o glam metal é sua lista de relacionamentos amorosos. Entre eles, estão Nikki Sixx (baixista do Mötley Crüe), Tony Iommi (guitarrista do Black Sabbath e sua principal influência na guitarra), Chris Holmes (guitarrista do W.A.S.P.) e Jim Gillette (vocalista do Nitro, uma banda megalomaníaca da cena glam, cujo truque de palco era quebrar taças com sua voz). Voltando à música, seus primeiros álbuns eram muito mais voltados para o heavy metal clássico do que para o glam de fato, mas em 1988, com Lita, ela começou a flertar com o estilo. O álbum rendeu muitos hits, entre eles, Close My Eyes Forever, um dueto com Ozzy Osbourne, marido de sua empresária Sharon. O lançamento posterior a Lita, Stiletto, ainda lhe rendeu um hit, Hungry, mas a memória popular dos fãs de glam sempre se lembrará de Lita Ford como sua musa, além de uma excelente guitarrista.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

My Chemical Romance - I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love

O emocore como o conhecemos teve sua ascenção no início da década passada e a queda quase ao seu fim. Em 2002 o movimento começava a ganhar forma com o ganho de popularidade de bandas como Simple Plan, Good Charlotte e o My Chemical Romance, que é de quem vamos falar hoje.

Muito antes da ambição de The Black Parade (2006) e da consolidação do sucesso em Three Cheers for Sweet Revenge (2004), os irmãos Way e os guitarristas Frank Iero e Ray Toro já tinham gosto por contarem histórias ao longo de um álbum.

O disco procura contar a história de um casal, com todos os bons e maus momentos pelo qual a relação passa, iniciando-se em Honey, This Mirror Isn't Big Enough for the Two of Us, que na realidade, faz com que percebamos que o início da história já se dá com a separação do casal.

I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love desfila riffs agressivos de guitarra em conjunto com a bateria acelerada de Matt Pelissier. Vampires Will Never Hurt You e Drowning Lessons, que vem logo na sequência deixam isso bem evidente.

Our Lady of Sorrows procura fugir um pouco da temática central do álbum, liricamente falando, mas, musicalmente, não diminui o ritmo do álbum. Aliás, muito pelo contrário. A pegada hardcore não deixa que o ouvinte sequer tenha um fôlego.

Aliás, descanso esse que só vem em Early Sunsets Over Monroeville, que tem foco maior na serenidade, no baixo bem marcado e nas guitarras limpas e suaves. Boa parte da sua letra é baseada no filme O Amanhecer dos Mortos.

Mas antes disso, ainda há a agitada Headfirst for Halos, uma das faixas mais adoradas pelos fãs da banda até os dias atuais. A sua introdução toda trabalhada no solo de Ray Toro já mostrava desde então que se tratava de um guitarrista de qualidade.

Até chegar ao seu final, o disco ainda acumula mais pancadas como Skylines and Turnstiles, que fala sobre os sentimentos de Way sobre os ataques terroristas de 11 de Setembro, Cubicles e This is the Best Day Ever, que soa como uma pré-ideia de I'm Not Okay (Three Cheers for Sweet Revenge, 2004).

O disco, bem como a historia do casal, tem sem fim em Demolition Lovers, uma faixa de mais de seis minutos que alterna entre a calmaria e a angústia traduzidos em riffs chorosos e grudentos. Nesta faixa mais precisamente, fala-se sobre algo como morrer por um amor.

Em uma análise final e até tomando a última faixa como base, notamos que em todo bom disco de emocore, obrigatóriamente temas como o amor e a paixão são potencializados e tratados com exagero muitas vezes até com uma distância muito curta do que pode se considerar saudável ou não.

Nesse caso, o que vai fazer com que se tenha o interesse em ouvir o álbum ou não, majoritariamente falando, é a sonoridade, se ela não apenas se encaixa com o que está sendo cantado e contado ali, mas se agrada aos ouvidos do receptador. No caso do My Chemical Romance em seu disco de estreia, definitivamente sim.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

New Order - Power, Corruption & Lies

Começamos as atividades de 2013 no blog com um álbum que nesse ano se torna um trintão: Power, Corruption & Lies, a obra-prima do New Order.

Diferentemente de Movement, lançado em 1981, esse disco é caracterizado sobretudo por mudanças na sonoridade da banda. 

Se no primeiro álbum, algumas das faixas pareciam mais sobras da Joy Division que foram perdidas com a morte de Ian Curtis e regravadas com Bernard Sumner e Peter Hook nos vocais, nesse novo trabalho, o leque de influências foi bem mais abrangente.

A banda procurava imprimir uma nova sonoridade pra ter sua própria identidade. Para isso, foi necessária uma viagem aos Estados Unidos, onde eles tiveram contatos com sons novos que estavam ganhando uma certa popularidade, como o rap.

Não que haja rap em Power, Corrpution & Lies, mas as batidas que os DJs americanos estavam produzindo acabaram influenciando, ao seu modo, o grupo na composição deste álbum. Prova disso é 5 8 6, que tem um fortíssimo apelo eletrônico.

Como o New Order estava no caminho mais do que natural para se tornar uma banda de electropop, a maioria das faixas inevitavelmente acabaria tendo aquela sonoridade que caracterizou uma grande parte de artistas e de bandas dos anos oitenta.

Com essa pegada dançante e uma verve futurista, aparecem The Village e Ultraviolence. Unidas ao som único do baixo de Peter Hook e com as programações de Stephen Morris e Gillian Gilbert, de certo modo elas ajudam a ditar o ritmo do álbum.

No entanto, isso não significa que o New Order simplesmente esqueceu de suas origens no post-punk. Tendo isso em mente, nota-se as músicas que deixam isso às claras são Leave Me Alone e Age of Consent, que inclusive abre os trabalhos do disco, o que poderia até ter causado uma confusão na época, pois poderia ter induzido as pessoas a pensarem que seria mais um álbum de post-punk.

Em todo caso, como não falar de Power, Corrutpion & Lies sem citar seus maiores sucessos, não é? Mas deixar pro final parece mais divertido. E certo. 

Em primeiro lugar, Your Silent Face. Considerando toda a obra do New Order, ela é uma das faixas que mais consegue sintetizar tudo o que a banda imprime em seu trabalho. Tem elementos de post-punk e de electropop, mas tem seu ritmo diminuido, mostrando também a influência que o Kraftwerk exercia e ainda exerce sobre eles. Aliás, tanto essa última máxima é verdade, que a faixa foi apelidada de KW1, ou seja, Kraftwerk 1.

Blue Monday merece uma atenção ainda mais especial. Não só por ser o maior hit não só do New Order mas também da música eletrônica de modo geral em todos os tempos. A princípio, ela não entrou no disco e foi lançada como um single de 12 polegadas, mas o sucesso dela foi tanto que ela acabou tendo que ser incluída no álbum.

Com uma batida considerada inovadora pra época, foi a primeira música da banda que apresentou essa influência da música norte-americana citada no início do texto.

Deste modo, flutuando entre sons que ainda resgatam a identidade da Joy Division e faixas dançantes que dominaram as paradas musicais e as pistas de dança dos anos 80, Power, Corruption & Lies definitivamente se consolida como um dos discos mais influentes e fundamentais da história da música e sim, você precisa ouvir antes de morrer.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

U2 - How to Dismantle an Atomic Bomb

"How to Dismantle an Atomic Bomb é o primeiro disco de rock do U2 em 20 anos.". Antes que questionem, a frase é do próprio líder da banda, Bono.

Aliás, se levarmos em consideração algumas experiências da banda na década de 90, com uma sonoridade bem mais próxima do pop, ao menos em partes, a máxima é verdadeira.

O disco nem de longe é recheado de grandes riffs e licks poderosos de guitarra. 

Inclusive, há de se dizer, que é um album muito mais concentrado em baladas, o que não exclui a possibilidade de se fazer um disco de rock. O álbum só não é capaz de empolgar, muito. Mas é rock.

Em todo caso, The Edge mostra que há certa razão na espécie de culto que fazem à sua volta nas faixas mais animadas, como Vertigo, que abre os trabalhos e All Because of You.

A mãe de todas as faixas mais calmas desse álbum sem dúvida é City of Blinding Lights. Aliás, é indiscutivelmente um dos momentos mais inspirados não só do disco, mas bem como de toda a carreira do U2.

Podemos até arriscar a dizer que é bem possível de que tudo, ou pelo menos boa parte do que o Keane fez até hoje é fundamentado nessa música.

Outro dos sons bem legais desse disco é Sometimes You Can't Make it on Your Own, cuja letra passa uma mensagem positivista, no sentido de que o importante é sempre procurar compartilhar algo e procurar sempre fazer as coisas com alguém. A história tem base no relacionamento de Bono com seu pai, que havia falecido há pouco tempo.

Em última análise de modo geral, chovemos no molhado ao dizer que não é um disco empolgante, principalmente se comparado à outras peças que o U2 lançou ao longo da carreira. Vertigo logo no início até engana, mas o ouvinte sabe que não é um disco que o mantém animado.

Em todo caso, nem por isso deixa de ser um bom trabalho. Inclusive, há de se reconhecer e de se respeitar um disco que foi multiplatinado tão logo havia sido lançado.

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PS: Eu sei que os que acompanham o blog assiduamente são poucos. Mas em respeito a estes, peço desculpas por esses dias todos sem postagem.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Radiohead - The King of Limbs


Com o lançamento de Kid A, em 2000, o Radiohead marcou o início de uma nova fase, mesclando elementos experimentais de música eletrônica e jazz. De lá até então, sua sonoridade divide-se entre trabalhos conceituais e outros que lembram seus discos iniciais, porém com elementos repaginados.

Até hoje, lançaram 8 álbuns, entre 1993 e 2011. E já ganharam diversos prêmios, como o Grammy, considerado o Oscar da música.

Na sombria Wiltshire’s Savernake Forest encontra-se uma árvore de carvalho com aproximadamente 1000 anos, que serviu de inspiração ao nome do álbum, homônimo.

Ao dar play no oitavo disco do Radiohead, The King of Limbs, logo com a introdução de Bloom, já podemos ter uma base de qual será o efeito em que desfrutaremos com tal obra.

A bateria desconcertante ao lado de arranjos eletrônicos intrigantes são a primeira impressão que temos. Causa estranheza, já que diversos efeitos sonoros, principalmente diferenciais, são usados minuciosamente.

Este trabalho relembra alguns anteriores, como o Amnesiac, de 2001. Por outro lado revela nova sonoridade que apenas fãs ou amantes da música contemporânea podem experimentar com mais abertura. As harmonias estáticas, os raros acordes e as vozes dobradas são características primordiais neste álbum.

Conforme a execução das faixas, Thom Yorke nos proporciona uma jornada para ambientes em que a natureza é exaltada. Em Give up the Ghost, por exemplo, os vocais entram em contraste com o som de pássaros na introdução.

A psicodelia influenciada pelo indie também está presente em The King of Limbs. Podemos concluir a ideia ao ouvir a terceira música, Little by Little, a mais aventureira do disco.

Juntos, todos os recursos utilizados levam o ouvinte a “outro lugar”, como um cenário de um filme fantástico ou um sonho. Incrível. A música é envolvente e uma pedida para fechar os olhos e deixar-se levar.

As próprias letras presentes no álbum têm esse conceito. Observe um trecho de Separator, a última faixa do disco:

“É como se eu estivesse caindo da cama
Depois de um sonho longo e fatigante
As mais doces frutas e flores nas árvores
Caindo do pássaro gigante que me carregava”

Ademais, é impossível não descobrir algo novo a cada vez que se escuta The King of Limbs. A riqueza nos detalhes é peça fundamental para uma experiência única em cada ouvinte. O que faz deste um dos melhores e mais instigantes discos do Radiohead.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Graham Coxon - The Sky is Too High

Um ano após o sucesso arrebatador do self-titled Blur com os sucessos Song 2 e Beetlebum, o guitarrista Graham Coxon decidiu que iria tocar uma carreira solo, ainda que tivesse mais jeito de projeto paralelo, uma vez que o Blur ainda era o foco principal.

Ainda em 1998 mesmo ele lançou seu primeiro álbum, The Sky is Too High, numa forma de tentar canalizar toda a sua criatividade que, em partes, não era aproveitada no Blur, fazendo com que ele ficasse sempre à sompra da genialidade de Damon Albarn.

Duas músicas que podem ser usadas para que seja feita a comparação e se note o contraste são Where d'You Go?, que tem uma alma mais obscura e Who The Fuck?, que flerta entre o punk e o próprio Blur de Modern Life is Rubbish (1993), mais precisamente, Popscene.

The Sky is Too High mostra uma espécie de mistura, onde Graham flutua entre vários estilos, como punk, folk e o próprio britpop. Com uma levada mais pro folk, Hard + Slow toma pra si o título de faixa mais agradável do disco.

Me You, We Two sintetiza bem o conceito de experimentalidade que Coxon queria introduzir nesse trabalho. Levada ao violão e com uma batida constante, além de efeitos ao fundo, é uma das peças mais interessantes da obra.

Outro fato destacável foi Graham trabalhar sozinho no disco, tanto no aspecto musical, dado o fato de que ele gravou todos os instrumentos, ainda que o violão seja o instrumento dominante, bem como na produção.

Colecionando sons experimentais e nada radiofônicos, além de não se prender a um determinado estilo, o álbum também passa a impressão de que Coxon tenta se distanciar da imagem pop que ficou associada a ele com o sucesso do Blur.

E em todo caso, se o objetivo era esse, Graham Coxon conseguiu atingir a meta com louvor. De toda a sua discografia solo, é o álbum que mais se distancia de qualquer coisa que ele já havia feito com a banda, ainda que um único momento faça lembrar.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

The Smashing Pumpkins - Zeitgeist

No longícuo ano de 2007, completavam-se exatos sete anos que nada era lançado sob o nome de Smashing Pumpkins

O último trabalho havia sido o consistente MACHINA/The Machines of God. Billy Corgan, frontman da banda, até havia tentado alçar um vôo solo, mas não atingiu os resultados esperados. Aliás, passou bem longe disso.

Em todo caso, admitamos, é preciso coragem para reativar um dos nomes de maior poder dos anos 90 para seguir em frente. Sobretudo se considerarmos que dois dos quatro membros originais haviam abandonado o barco, sendo James Iha e D'arcy Wretzky; isso sem contar Melissa Auf der Maur que assumiu as quatro cordas na turnê de MACHINA.

Dos tempos de glória de Siamese Dream (1993) e Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995), além de Corgan, claro, só havia sobrado o baterista Jimmy Chamberlin, que com a sua mão pesada ajudou a banda nesse novo trabalho a não perder a identidade.

Inclusive, há de se deixar claro e de destacar-se o fato de que o álbum foi todo gravado apenas por Corgan e Chamberlin. Todas as guitarras, baixos, teclados, pianos e qualquer outro elemento apresentado no álbum. É quase como se Billy Corgan estivesse em seus dias de Trent Reznor.

Aliás, sonoramente, pode até se dizer que há, ao menos em uma pequena escala, uma certa dose de Nine Inch Nails neste trabalho. Em todo caso, a gente volta nesse assunto mais pra frente.

Zeitgeist, para quem não sabe, é um termo em alemão, que em tradução livre, representa algo como espírito de época ou sinal dos tempos. Pensando nisso, Doomsday Clock parece ter sido estrategicamente colocada como faixa de abertura. Sua letra fala sobre sinais e acontecimentos apocalípticos, mortos e coisas do gênero. Não à toa, leva o título de relógio do juízo final.

Com uma linha de bateria que torna fácil o reconhecimento de Chamberlin nos trabalhos e as guitarras agressivas de Corgan fazendo com que a faixa soe como uma espécie de pé-na-porta não deixam dúvida: Os Smashing Pumpkins estavam definitivamente de volta, ainda que pela metade.

Em seguida, 7 Shades of Black não deixa o ritmo cair. Aliás, é outro soco no peito de quem ouve. Aqui, o riff de guitarra desenhado por Billy Corgan, sobretudo a parte solada que acompanha os versos é a grande sacada.

That's the Way (My Love Is) é onde os Pumpkins tentam mostrar suas novas influências e propostas, buscando angariar novos admiradores. Ainda que a bateria seja tocada quase num ritmo militar e o baixo corra em paralelo à essa velocidade, os teclados ao fundo e a suavidade da voz de Corgan imposta nessa faixa equilibram as coisas.

Por sua vez, Tarantula é indiscutivelmente o grande som desse álbum. Pode até se dizer que é um dos momentos mais inspirados e iluminados de Billy Corgan ao longo de toda a sua carreira. Prova disso é o solo, que dividido, dá a impressão de haver uma espécie de duelo de guitarras. No caso, o duelo é entre Billy e ele mesmo.

Outros momentos no mínimo destacáveis, para não dizer brilhantes no que se refere aos trabalhos feitos por Billy Corgan com as guitarras neste álbum são Bring the Light e (Come On) Let's Go. Na primeira, é jogado na cara de quem ouve um solo poderoso e direto, com uma forte pegada de metal. Já na segunda, ocorre o mesmo que em That's the Way. Corgan e Chamberlin procuram apresentar o "novo" som que os Pumpkins tentarão, ou tentariam imprimir dali pra frente em seus trabalhos.

Mais ao fim do álbum, For God and Country aparece como uma grata surpresa em um momento onde já praticamente não se esperava mais nada. O destaque aqui é o teclado absolutamente oitentista que marca a faixa, além do baixo com um forte efeito, soando como alguma coisa do Nine Inch Nails, como foi citado anteriormente. Mas referente ao teclado e ao ritmo dela de modo geral, está mais para uma estranha e improvável mistura entre U2 e Joy Division.

Fechando o álbum, aparece Pomp and Circumstances, exatamente como o título sugere, sendo uma faixa grandiosa e cheia de firulas.

Cheia de arranjos de cordas e teclados por todos os lados, mostra que por mais que Corgan estivesse procurando por um novo público e estivesse com sede de mudança, em uma coisa ele ainda é o mesmo Billy Corgan que começou a se revelar em Siamese Dream, alguém com uma incurável mania de grandeza.

Não contente, no final da faixa ele presenteia os ouvintes com um belíssimo e épico solo de guitarra carregadíssimo de feeling.

Como obra, de modo mais abrangente, Zeitgeist pode até não convencer aquele fã mais antigo, que se emocionava com 1979 ou ia à loucura com Cherub Rock, mas na proposta, única e exclusivamente como disco de rock, convence e muito, ao contrário do que a crítica especializada pregou na época.

Zeitgeist é um disco antes de qualquer coisa, valente, pois veio logo na sequência de um momento complicado na carreira de seu criador. 

Alternando climas, emoções e sentimentos, há de se dizer que definitivamente, ele foi lançado no tempo certo e que ao contrário do que se podia imaginar, Corgan jamais perdeu a mão, seja como guitarrista ou como compositor.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Kaiser Chiefs - Off with Their Heads

Lançado em Outubro de 2008, Off with Their Heads foi o terceiro disco de estúdio dos Kaiser Chiefs, e com ele vinha com uma árdua missão: Repetir ou superar o êxito de seus antecessores, Employment (2005) e Yours Truly, Angry Mob (2007).

As fórmulas que deram certo nos discos anteriores foram mantidas nesse trabalho. Os maiores exemplos disso são os singles do álbum, Never Miss a Beat e Good Days, Bad Days

As faixas em questão trazem consigo melodias fáceis de se decorar e refrões grudentos. Ou seja, não tem como falhar. Aliás, Never Miss a Beat conta com a participação daquela graça que é a Lily Allen.

Que os Chiefs sempre gostaram de usar elementos eletrônicos em suas músicas nunca foi segredo. Justamente por isso é que You Want History também merece o devido destaque no álbum. Trata-se definitivamente de uma das mais dançantes e agitadas do disco.

E falando em faixas agitadas, a acelerada Can't Say What I Mean vem logo na sequência dentro do estilo que consagrou a banda. Rápida e objetiva, soa como uma espécie de post-punk-revival.

O disco de modo geral não foge do que os Kaiser Chiefs se propunham a fazer até então, mas falha no objetivo principal que era o de repetir o sucesso de seus antecessores, ainda que tenha chegado ao honroso segundo lugar no UK Albums Chart na semana de seu lançamento. 

Mas em todo caso, ainda trata-se de um bom álbum, que apesar dos resultados apresentados, não merece e nem pode ser desprezado.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Madonna - The MDNA Tour (05/12/12 - São Paulo)

Posso falar de Madonna ao vivo com certo conhecimento de causa, já que é a segunda vez que eu a vejo (a primeira foi durante sua última passagem pelo país, em 2008, com a Sticky and Sweet Tour). Agora vou falar do show de ontem, no Estádio do Morumbi.

Por volta das nove horas, a dupla de DJs brasileiros Felguk começou a tocar de um modo... interessante. Juntando a música eletrônica com pop atual e até mesmo a presença de rock n' roll e heavy metal (!), animaram o público por cerca de uma hora - boa parte dela debaixo de chuva, o que provocou atrasos no show da rainha do pop.

Madonna nos faz amá-la e odiá-la ao vivo. Odiá-la durante a espera, que é quase sempre longa - a de ontem foi a mais curta da turnê brasileira, de "apenas" uma hora; e amá-la durante a apresentação. O primeiro ato, que começa com cânticos religiosos e um cenário semelhante a uma catedral, é extremamente violento, com a cantora portando armas de fogo falsas e é composto por uma tríade de músicas do novo álbum, MDNA - (Girl Gone Wild, Revolver e Gang Bang), que não empolgam tanto a plateia, mas surpreendem pela superprodução e pelo fato da cantora de 54 anos se deslocar pelo cenário com tamanha facilidade.

É claro que os fãs estão ali para ouvir os clássicos, e o primeiro deles é uma curtíssima introdução de Papa Don't Preach emendada em Hung Up (críticas à parte, Confessions on a Dancefloor, álbum que contém essa música, é o meu preferido de Madonna), que empolgou e arrancou passos de dança dos presentes. Como sempre polêmica, a cantora usa uma de suas músicas como arma para alfinetar Lady GaGa, que tenta tão desesperadamente ser a nova rainha do pop. Ao interpretar Express Yourself vestida como uma líder de torcida, ela encaixa os versos de Born This Way da "rival" e ainda provoca com She's Not Me - na minha opinião, um recado pertinente.

Comparado ao show de 2008, neste a cantora oferece mais interação com o público, mandando-o xingar a chuva e sendo adoravelmente simpática, inclusive insinuando um casamento moderno entre ela e duas fãs que estavam na pista premium, falando português e aparecendo com a palavra "safadinha" gravada nas costas. Clássicos como Vogue e Holiday (rara nessa turnê) levaram o público ao delírio, mas o melhor momento de um show da diva do pop é sempre Like a Prayer, cantada com vontade e emoção pela platéia e pelo coral trazido por Madonna ao palco. Na ausência decepcionante de Like a Virgin, a despedida se dá por Celebration e versos de Give It 2 Me, mostrando que mesmo sendo criticada pelo último álbum, quem é rei nunca perde a majestade e que a senhora Ciccone sabe, como ninguém, apresentar um incrível espetáculo visual e entreter qualquer um que vá assisti-la, além de trazer de volta clássicos que estão gravados na memória popular.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Keane - Perfect Symmetry

Começo o mês com um disco que eu nunca dei muita atenção, mas nos últimos dias acabou se tornando um dos meus favoritos sabe-se lá por qual razão, Perfect Symmetry (2008), do Keane.

Se em seus dois primeiros discos, Hopes and Fears (2004) e Under the Iron Sea (2006) o Keane apostava mais nos pianos do que em qualquer outro instrumento, em 2008 com o lançamento de Perfect Symmetry isso mudou pelo menos um pouco.

Logo de cara, Spiralling já causa espanto naqueles que nunca esperaram um Keane com tantos efeitos provenientes de sintetizadores e uma levada tão mais dançante.

Que a banda sempre teve uma queda por alguns sons dos anos oitenta não chega a ser exatamente um segredo. Mas a sonoridade conseguida nessa faixa é no mínimo surpreendente.

Aparecendo em seguida, The Lovers Are Losing até tenta seguir sob as mesmas influências da faixa anterior, mas acaba remetendo mais aos sons dos álbuns anteriores. Aqui, o piano, ainda que bem acompanhado do sintetizador, é quem carrega a música do início ao fim.

Algo a ser notado em Perfect Symmetry é que pela primeira vez a banda usa guitarras no disco de modo mais efetivo. Better Than This, que tem a mesma proposta e intenção de Spiralling, sendo carregada de sintetizadores e tendo uma batida mais dançante, apresenta também uma guitarra ligeiramente mais alta, fazendo a marcação dos versos e do refrão. Aliás, vale destacar que estas três primeiras faixas foram singles, além claro, da óbvia faixa título.

A escolha de faixas mais eletrônicas para serem as músicas de trabalho do álbum por si só não explicam a vontade de a banda mostrar que estava trabalhando com algo diferente. Inclusive, é facilmente perceptível que boa parte do disco apresenta isso.

Bons exemplos de que as influências do Keane nesse trabalho haviam mudado são You Haven't Told Me Anything e a rapidinha Again & Again.

Por outro lado, a temática das letras ainda não varia. Tim Rice-Oxley consagrou o Keane escrevendo sobre amor, melancolia, tristeza, decepção e outros temas do gênero. Se sempre funcionou, não seria agora que ele iria mudar.

Mas o Keane, até como já foi dito anteriormente no texto, sonoramente falando também, procura fazer uma busca em seus próprios arquivos para a composição desses então novos sons. O hit maior do álbum, Perfect Symmetry é indiscutivelmente a maior prova dessa afirmação, além também de Black Burning Heart, que aparece mais ao fim do disco.

Ou seja, ainda que algumas faixas pareçam mais animadas e dançantes, não se engane com a embalagem, o conteúdo ainda é bastante parecido com tudo o que já haviamos visto deles.

Em todo caso, mais uma vez, somos arrebatados por mais um trabalho de inquestionável qualidade dessa que a quase uma década atrás uma das mais gratas revelações que a música britânica deu ao mundo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Hurricane #1 - Only the Strongest Will Survive

Lançado em 1999, Only the Strongest Will Survive foi o segundo e último disco do Hurricane #1

Diferentemente do seu antecessor, o self-titled Hurricane #1, que chegou às lojas em 1997, esse trabalho trazia menos distorção nas guitarras de Andy Bell, embora muitas das formulas que funcionaram no primeiro álbum seguiram sendo usadas aqui.

NYC abre os trabalhos em grande estilo. Seria como a Rock n' Roll Star (Oasis: Definitely Maybe, 1994) deles. Rápida, suja e direta ao ponto. 

Em tempo: Sim, a comparação com o grupo liderado pelos irmãos Gallagher é inevitável. Basta ouvir os dois discos lançados por eles e você vai entender exatamente onde eu me refiro.

Outros pontos do disco em que Bell prima pela distorção e pelo som mais acelerado são Come Alive e Long Way Down, embora não exatamente nessa ordem.

Por outro lado, devemos dar o devido destaque à The Greatest High, que logo desponta como hit óbvio e a grande aposta do álbum. Aposta acertada essa, diga-se de passagem. É ela quem de certo modo dita o ritmo das outras composições do álbum. Ainda que faça uso de guitarras distorcidas, violões suaves e baixos que fazem a marcação de acordo com a bateria ao invés de correr com a guitarra são os elementos fundamentais nela.

Aliás, as mesmas características, de certo modo, podem ser aplicadas à Rising Sign, embora esta apresente-se ligeiramente mais experimental, trazendo batidas e elementos de música eletrônica.

Inclusive, vale dizer que a banda arriscou e experimentou mais nesse trabalho. Remote Control faz lembrar alguns sons do Massive Attack, trazendo uma pegada bem trip-hop. Vale conferir também.

O momento épico de Only the Strongest Will Survive sem dúvida é a faixa título. É indiscutivelmente a faixa que apresenta a melhor produção em todo o álbum. Carregada de instrumentos clássicos, traz consigo uma melodia impactante e intempestiva em seu início. 

Seus versos são levados por uma bateria eletrônica e um baixo cheio de efeitos. No refrão misturam-se esses adereços com os que estavam presentes no início.

Falando assim, pode parecer difícil de entender e de imaginar como essa faixa funciona. É um daqueles casos clássicos em que só ouvindo se resolve e se entende.

Dada a cena e as bandas concorrentes na época, há de se dizer que o Hurricane #1 sempre foi uma banda subestimada. Existem provas cabais disso no primeiro disco, assim como nesse também. The Price That We Pay poderia e deveria ter sido hit absoluto na terra da Rainha.

Baladinha carregada ao violão, tem a fórmula clássica do britpop de como se fazer sucesso. Inexplicavelmente, não fez.

Encerrando o disco, a banda se pega buscando influências em seus próprios sons e em alguns sons do Ride, antiga banda de Andy Bell. Com uma pegada mais melancólica, embora com uma forte tendência pro shoegazing, What Do I Know e Afterhours pareciam anunciar o inevitável (e lamentável) fim de uma das bandas com o maior potencial que o Reino Unido havia visto na década de 90.

domingo, 25 de novembro de 2012

My Chemical Romance - The Black Parade

Esqueça essa história de preconceito com o emocore, aquele movimento muito famoso da década passada, amado e odiado na mesma proporção.

Um dos principais expoentes do estilo, o My Chemical Romance, lançou seu primeiro álbum em 2002, I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love, mas foi em 2006 que a banda lançou seu trabalho mais ambicioso, The Black Parade.

O disco é todo trabalhado em um conceito. Tem sua temática baseada em um paciente que, passando por uma quimioterapia, está à beira da morte.

Trazendo influências diferentes dos álbuns anteriores, esse disco apresenta em dados momentos uma pegada de hard rock, como em House of Wolves, uma das melhores do álbum. É óbvio que um bom disco é feito de boas músicas, mas uma boa sequência no começo também é fundamental. The End e Dead, que estão na mesma faixa, já dão a exata impressão e a sensação de que o disco será matador do início ao fim. E de fato, é.

Na sequência, This Is How I Disappear mistura as novas influências com as antigas. Ao mesmo passo que apresenta riffs poderosos, traz também a angústia sempre presente no som da banda. Aliás, esse sentimento ainda é fundamental para a composição e o entendimento do álbum. A emotiva The Sharpest Lives vem em seguida e é outro dos grandes destaques do álbum. Poderia até ter sido single se a banda assim quisesse

Welcome to the Black Parade, que dá nome ao disco, surge inevitavelmente como a melhor e mais trabalhada faixa do álbum. Aqui, a impressão é de que o My Chemical Romance tentou fazer alguma coisa parecida com o Queen. Evidentemente falharam, mas quem disse que é fácil? Em todo caso, há de se reconhecer o esforço da banda, sobretudo do guitarrista Ray Toro e do baterista Bob Bryar, que notadamente são os grandes responsáveis pela qualidade e porque não dizer, pela beleza da faixa.

Apesar da ideia, e boa ideia, diga-se de passagem, de fazer um disco com uma relação entre todas as faixas, todo álbum precisa de músicas mais comerciais para alavancar suas vendas. I Don't Love You estava ali justamente para isso, além de diminuir, pelo menos por hora, o ritmo do álbum e dar uma espécie de fôlego para quem está ouvido, embora sua letra esteja mais para tirar o fôlego do que para dar.

Mas nem só no culto à morte é baseado The Black Parade. Teenagers é a prova disso. Divertida do início ao fim, é uma das faixas que tem aquela pegada de hard rock citada no início, principalmente em seu solo. Mais uma vez, destaque para Ray Toro.

Famous Last Words fecha o disco de forma épica. Ou semi. Na história, traz a aceitação do paciente em relação à morte. Seus sentimentos apontam na direção de que ele finalmente pode morrer em paz e deixar o mundo seguir seu curso natural.

Sobre a obra de modo geral, há de se dizer que indiscutivelmente The Black Parade é uma ópera rock. Se você comparar com as clássicas de Pink Floyd, Queen e The Who, não há nem como estabelecer comparação, partindo do simples fato de que estes eram mestres na arte de produzir discos conceituais. 

No entanto, pode-se dizer que The Black Parade é o Mellon Collie and the Infinite Sadness (Smashing Pumpkins, 1995) dessa geração, só que com pouco menos da metade das faixas e sem a genialidade de Billy Corgan.

Desse modo, esqueça essa história de preconceito com o emocore. Dê uma chance aos irmãos Way, ao excelente guitarrista Ray Toro e ao esforçado Frank Iero. Pelo menos por esse disco, eles merecem.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Stereophonics - Word Gets Around

Em 1997, Oasis e Blur disputavam na base do tapa o primeiro lugar das paradas britânicas. A primeira havia lançado o superproduzido, embora irregular Be Here Now. A segunda, por sua vez, acabara de alcançar seu maior êxito desde Parklife (1994), lançando o self-titled Blur.

Correndo por fora, haviam bandas com um sucesso relativamente menor, como o The Verve e o Supergrass

E aproveitando o sucesso do movimento britpop, o Stereophonics, liderado pelo intempestivo vocalista Kelly Jones lança seu primeiro disco, Word Gets Around, e é sobre ele que a gente vai falar um pouco agora.

Carregado de guitarras distorcidas e bons riffs, o disco conseguiu com que a banda alcançasse um certo reconhecimento na Europa logo em seu primeiro ato. Tanto isso é fato, que ele alcançou nada menos do que a honrosa 6ª posição no UK Albums Chart.

Todos os singles do disco concentraram-se nas cinco primeiras faixas. O mais bem sucedido e mais adorado pelos fãs sem sombra de dúvida é Traffic. Baladinha sobretudo carregada ao violão, embora se desenvolva ao longo de seus quase cinco minutos e ganhe guitarra, baixo e bateria, ainda assim ela não condiz com o ritmo do restante do álbum.

Uma faixa que pode exemplificar melhor a sonoridade que a banda procura imprimir em seu primeiro disco é justamente a de abertura, A Thousand Trees, que basicamente fala do cotidiano, mas não exatamente de uma maneira convencional.

Aliás, cabe dizer que todas as letras, ou pelo menos grande parte delas, fala sobre a vida na cidade onde os caras da banda cresceram, Cwamaman, no País de Gales. More Life in a Tramp's Vest e Local Boy in the Photograph sintetizam bem isso também.

Em todo caso, há uma grande injustiça nesse disco. Uma das melhores faixas, pra não dizer a melhor, simplesmente não teve a visibilidade que merecia. Trata-se de Same Size Feet. É um dos casos onde o riff de guitarra diz mais sobre a música do que qualquer outro elemento dela.

Seu riff é tão bom, mas tão bom, que foi copiado justamente por um dos mestres dos Stereophonics, o Oasis, que "reproduziu" o riff em The Hindu Times (Heathen Chemistry, 2002).

Outro momento destacável fora dos singles é Last of the Big Time Drinkers. Carregada de indie rock do início ao fim, aparece como uma espécie de amostra do futuro. Alguns sons dos Strokes, que veio a lançar seu primeiro disco apenas em 2001, Is This It, trazem uma sonoridade bastante parecida com a dessa faixa.

Ainda que não seja o disco de maior êxito, é considerado por muitos fãs como o melhor álbum lançado pela banda. Seu estilo mais cru cativa quem gosta de um certo barulho, embora este venha com reconhecida qualidade e sentido.

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